Meu estômago revirou, o olhei esperando ele dizer que era uma brincadeira sem graça, mas ele não disse nada.
- E AONDE ELA TÁ?????
- Liga de volta no número que ela te ligou.
- Caramba Rober. - sentei na cama, passando as mãos pelos cabelos
- Liga pra ela, ela está desesperada. Eu não sabia nem o que falar.
- Eu preciso mandar alguém buscar ela.
- Seus pais!!
- Vou ligar pra ela primeiro.
Peguei meu celular, e liguei de volta para o número que ela me ligou.
- Alô. - ela disse
- Oi amor.. - ouvi o Breno chorar.
- Luan.. - ela começou a chorar - Eu estou com medo, está chovendo muito. O breno não para de chorar.
- O Rober já está ligando pro meu pai.
- Eu descobri o lugar que estou.
Passei tudo ao Rober, enquanto ele falava com meu pai.
- Eu to com medo de dar alguma coisa com o Breno, estou tentando não deixar ele ir na chuva mas fiquei um tempo desacordada, não sei quanto tempo.
- Meus pais estão chegando..
- Eu estou com vergonha. - ela disse tão baixo. - Eles rasgaram minha roupa. O breno está pegando muito chuva, eu sou horrível.
- Eu te amo, muito! - falei - Eu te amo muito, você sabe, não sabe? Eu amo vocês. Eu vou ir embora e ficar com vocês, meu pai já saiu de casa.
- Eu vou molhar o carro deles.
- Não tem importância.
- Eu estou com muito nojo de mim, muito nojo, eu quero vomitar. Está chovendo muito forte. Minha cabeça está doendo, estou com frio. Eram cinco homens. - fechei os olhos, alisei minha testa, eu não sabia que porra falar. Nunca na minha vida imaginei que passaria por isso.
- Eu vou mata-los. Não importa quem seja.
- Eu estou com medo deles voltarem.
- Eles não vai, meus pais estao chegando.
- Fala com o Breno, ele não parou de chorar em nenhum momento.
Ouvi seu choro mais evidente.
- Bre.. é o papai... - não disse mais nada
- Ele não para.
- Eu não sei o que falar.
- Vem embora..
- Eu vou, estou esperando meus pais chegar pra desligar e arrumar as coisas.
- Eu estou suja. Eu estou suja.
- Amor..
- Meu corpo está doendo muito. Acho que seus pais estão chegando, está vindo um carro.
- Tomara que seja eles.
- Eu estou com vergonha.
- Não sinta.
- Uhh, são eles. Tchau.
- Tchau, eu te amo, ta?
Ela desligou, liguei no número do meu pai, e ele atendeu.
- Oi filho..
- Não pergunta nada, certo?
- Sim.
- Ele está muito machucada?
- Um pouco.
- Ela disse alguma coisa?
- Não.
- Fica com ela lá em casa, até eu chegar. Vou ligar pra amiga dela. Pede minha mãe pra ligar para um médico, e um pediatra.
- Certo.
- Vocês levaram coberta pra eles?
- Pensamos nisso!
- Obrigada pai, daqui a pouco estou em casa.
- Fica tranquilo, vamos cuidar dela. Você sabe o quanto adoramos-a.
- Eu estou preocupado. Fiquem de olho nela.
- Vamos ficar.
(...) Horas mais tarde, cheguei em casa, meus pais estavam falando com uma mulher.
- Cadê ela? Quem está lá com ela? E o Breno?
- Sarah, está com ela. Breno também. Ele está dormindo. Essa é Luiza, a pediatra. Ela se recusou a passar por um médico.
- Oi Antonia. E o Breno? Ele tomou muita chuva!
- Eu medi sua febre e ele estava com 40 graus, isso é muito perigoso, ainda mais para um bebê de 3 meses. Com isso ele pode dar hipotermia, deixei uma receita de remédios para dar a ele. Deixe-o bastante agasalhado, quanto menos frio melhor pra ele. Caso as coisas fiquem pior, ou a febre continue alta levem ele ao médico, para interna-lo. Isso pode levar a morte. A imunidade dele abaixou de uma forma que não pode. Os remédios são bons, apliquei uma vacina nele. Espero que ele fique bem rápido. So tomem cuidado. Qualquer coisa podem me chamar novamente. - suspirei fundo, assenti, me despedi dela e sai da sala.
Subi a escada correndo e fui até nosso quarto. A porta estava meio aberta. Ela estava no meio da cama, segurando a mão da Sarah e chorando passei a mão pelos cabelos e entrei. Caminhei até o berço. Breno estava dormindo, o quartl estava bastante quente e ele empacotadinho. Beijei sua testa, que ainda estava quente.
- Papai chegou pra cuidar de vocês. Fique bem filho. Fique bem. - beijei sua mãozinha. - Oi, sarah
- Oi Luan. - limpou o rosto. - Eu vou lá embaixo.
- Pode ficar aí.
- Eu vou lá!! - levantou e saiu do quarto.
Fiquei a olhando por uns segundos, sua testa estava ralada. Meu olho se encheu d'água, deitei ao seu lado e a puxei para o meu peito. Ela chorou de soluçar. Beijei seus cabelos, ela gelada, muito gelada.
- Oi pequena. - acariciei seus cabelos - Estou aqui. - Fechei os olhos. - Estou aqui. Eu queria te proteger de tudo, me desculpa por não ter sido capaz. Eu vou te proteger de tudo, nada mais vai acontecer com você, com vocês, eu prometo. Vamos passar por isso, eu você e o Breno.
- Minha cabeça doí.
- Porque você não quis se passar por um médico?
- Eu estou com vergonha e nojo de mim. Eu não quero que ninguém me veja. E nem você olhe para o meu corpo. Eu estou com vergonha de olhar nos seus olhos. Eu deixei outra pessoa me tocar.
- Amor..
- Eu me sinto enojada, com vergonha. - tentei fazer com que ela me olhasse, mas foi em vão.
- Você não tem culpa! Não sinta vergonha de mim, eu sou seu namorado, sou pai do seu filho, sou seu amigo, somos um só, Andressa. Não vou deixar ninguém mais chegar perto de você. Você não sabe a raiva que estou sentindo, como estou por dentro, de imaginar um bando de filho da puta tocando em você, batendo em você. Eu odeio saber que você passou por isso, só de pensar me da vontade de fazer coisas que eu nunca imaginei..
- Não me deixe. Por favor.
- Eu não te deixaria mesmo se você pedisse.
- Eu só fui levar o Breno em outro médico, ele estava mal e eu piorei tudo. Se acontecer alguma coisa com ele eu nunca vou me perdoar.
- As coisas vão ficar bem. Ele vai ficar bem. Lembra quando você o ganhou, o quanto ele lutou por sua vida. - Breno começou a chorar em seu berço, e Andressa chorou ainda mais. Levantei para pega-lo e trouxe ele pra cama com a gente, coloquei ele ao lado dela, ela se recusou a olhar em seu rosto. - Ele precisa de você, ele sabe que você não tem culpa de nada. Você é a mãe dele amor, você o carregou, você o gerou, você dá amor, carinho, você é tudo pra ele, não faça isso.
- Eu arruinei nossa vida. - fiquei calado - Eu arruinei a minha vida.
- A gente te ama, e você vai passar por isso, nos três somos um só, você é forte o suficiente pra passar por isso.
- Eu não sou.
- Você é. - peguei o Breno, ele estava chorando bastante. Beijei seu rosto. - nanã neném que a cuca vai pegar, papai foi pra roça mamãe foi passear. - comecei a cantar baixinho em ouvido, ele acalmou, mas logo começou de novo. Andressa se sentou e me pediu ele. Limpou o rosto. Tirou a coberta meu sangue bombeou mil vezes a mais em meu corpo. Ela estava toda marcada, seu pescoço com chupões, os braços com enormes roxos. - Puta que pariu.
- Não fala nada. - ela sussurrou baixo, voltando a chorar e pegou o Breno.
Fechei os olhos, abri novamente na esperança de ser um pesadelo mas era real. Ela levantou a blusa e seus seios estavam roxos. Levantei e dei um soco na parede. Eu queria achar esses desgraçados e mata-los com a porra de minhas mãos. Eu queria ensina-los o que é encostar na namorada dos outros, eu queria... Tentei me acalmar. Olhei para minha namorada de novo, e a raiva foi me consumindo. Raiva, tristeza, ódio, nojo, nojo de saber que o mundo está cheio desses vermes. Voltei pra cama novamente e a abracei, abracei forte, como se o mundo fosse acabar daqui a meia hora. Murmurei em seu ouvido o quanto eu a amava, o quanto ela era minha e que ninguém nunca mais tocará sem que ela permitisse. Breno dormiu em seu braços, Peguei o termômetro e coloquei nele. Ainda estava 38, aproveitei para colocar na andressa, e dela estava 39,7
- Caramba Andressa, você está queimando de febre. MÃAAAAE. - minha mãe, sarah e meu pai apareceram. - Mãe, fica com o Breno pra mim, Andressa está com 39,7 de febre.
- Eu não vou ao médico.
- Um banho, pelo menos.
- Não, por favor, não faça isso. Não faça eles me verem assim. - ela sussurrou, mas acho que não tão baixo quanto ela esperavam pois eles se viraram para sair
- Cuide dela, cuidaremos dele!
- Obrigado.
Já a sós. Tirei sua coberta, Meu Deus. Tem algum lugar em que não tem a porra de um roxo na Andressa. Ela se encolou e as lágrimas desceram em seu rosto, desviei meus olhares dela para o chão, suspirei fundo e a peguei no colo. Ela gemeu de dor. A levei pro banheiro.
- Qual você prefere.
- Eu quero deitar.
- Então estamos indo para o hospital. - ela gemeu de frustação.
- Não faça isso comigo.
- Andressa, você está com 39,7 de febre. Se você não me ajudar, eu vou ter que agir!
- Não fala assim, por favor, para. - a sentei na pia e a abracei forte.
- Me desculpa, eu estou preocupado, minha cabeça está uma merda, eu não sei o que fazer. Você está machucada, porra. Você. Está. Machucada. Eu estava longe. Eu me sinto o pior impossível. O Breno está com febre, você está com febre. Eu não sei o que fazer, eu não faço ídeia de como agir, o que fazer, o que falar. As duas pessoas mais importante pra mim não estão bem. Você foi violentada, qual cabeça você acha que eu estou? Andressa, eu estou em choque desde que Rober me falou, tem coisas que a gente não está preparado. Me desculpa, eu só to.. porra - abaixei a cabeça me sinto um fraco.
- Eu tomo banho, não chora, eu passei por muito essa noite, você chorando pra mim é o limite.
- Eu só quero vocês bem, é so isso. Quando vamos ter paz de espirito, quando porra. - a abracei, não queria demonstrar fraqueza, eu precisava ser forte agora.
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ai socorro eu to chorando de verdade ����
ResponderExcluiraté que ponto o ser humano pode ser tão cruel ???? socorro faz isso tudo passar logo ok ? quando postar um capítulo novo você me avisa ? meu wpp é 11960306977 ( ma azevedo )