O meu dia seguinte foi com muita experiência de mamãe. Foi emocionante, o alimentei pela primeira vez. Beijei-o em toda parte do corpo, ele é sem dúvidas a coisinha mais linda do mundo. Estava tão emocionada por tudo, por tê-lo nos braços. Eu não queria nunca solta-lo, mas ele ainda tinha que ficar no berçário sob cuidados. No dia seguinte foi a mesma coisa, mas dei um banho nele, e quase desmaiei do tanto que ele é molinho. Foi engraçado. No próximo dia, ele deu febre por bastante tempo, e ele iria receber alta... Estava sentada pensando longe. Duas mãos tamparam meus olhos e sorri, eu conhecia aquelas mãos macias, e aquele cheiro inconfundível.
- Oi amor.
- Oi linda! Está sozinha?
- Eu falei pra minha mãe descansar, coitada!
- Ahh. - sentou ao meu lado e me puxou para o seu colo. - Ele melhorou da febre? Eu trouxe essa malinha aqui, olha.
- Uhhh, é mesmo, eu não estava lembrando das roupinhas.
- Olha, eu comprei algumas.
- A gente ia fazer juntos, lembra?
- A gente vai fazer, mas o Breno precisa sair com roupa, e eu fiquei com vontade.
- Espera
- O que?
- A malinha tem o nome dele. - sorri, e ele beijou-me na bochecha.
- Minha mãe tinha me falado dessas mala, ela disse que você também tinha comentado com ela, e eu achei que você iria gostar.
- Eu amei, é linda.
- Tem outras lá em casa, porque são várias, eu pensei que era só uma.
- Sim, costuma vim três. Eu adorei, queria desta cor, é muito linda.
- Agora olha as roupinhas.
Abri e olhei todas as roupinhas.
- Mentira que você comprou essas roupinhas.
- Você está falando que não tenho bom gosto?
- Luan.. aaaaa isso aqui é uma fofura. O perfuminho, ai meu Deus. Ele vai sair com esse cinza, é quentinho. Ai, eu quero ir lá e vesti-lo com todas essas roupinhas, gorrinhos e sapatinhos.
- A toquinha vai ser essa branquinha com orelinhas.
- E com esse sapatinho de ursinho, que acho que é conjunto com a toquinha!
- Também acho.
- Hum, não sei se tô com maturidade o suficiente pra ter um bebê, eu vou muito colocar todas as roupinhas nele quando eu poder. - ele riu.
- Eu quero muito vê-lo. Estou ansioso.
- A gente pode ir até o berçario, ou ir procurar o doutor Marcos primeiro, você que sabe.
- Ainda tenho ciúmes desse cara.
- Ahhhh para. Ele vem ajudando muito o Breno.
- Estou brincando. Vamos lá.
No meio do corredor encontramos o Dr. Marcos e ele tratou o Luan muito bem, e nos entramos. Breno estava no colo da enfermeira chorando.
- Eu posso pegar ele? - ele falou com um enorme sorriso no rosto
- Sim, é claro. - ela o entregou e ele sussurrou algumas palavras no ouvido de Breno que foi acalmando. Luan me olhou com um sorriso largo no rosto e eu o entendia. A sensação de ter nosso filho nos braços é sem dúvida a melhor, é inexplícavel.
- Ele parece muito você. - a enfermeira disse.
- Ele parece. - Luan respondeu, ela sorria atentamente olhando o Luan. - Quando ele vai receber alta? Estou ansiosa pra gente ir pra casa. - perguntou ao Dr. Marcos
- Acredito que amanhã, ia ser hoje, mas por conta da febre, resolvemos deixa-lo em observação.
- Amanhã? - perguntei animada.
- Sim.
- Óh, isso é maravilhoso. - sorrimos todos.
Na manhã seguinte, veio eu e o Luan, ficamos no cantinho onde quase ninguém ia e que passei os ultimos dia lá. Encostei minha cabeça em seu peito e ele começou a fazer um cafuné gostoso. São Paulo estava fazendo 9 graus, estava frio pra caramba.
- Já saiu na mídia sobre o Breno?
- Estão falando algumas coisas, mas nada certo, você sabe, maioria das vezes eles inventam, distorcem.
- Eu estou animada que hoje ele recebe alta. Pelos dias que fiquei aqui com ele, se ele ainda estivesse na minha barriga, estava perto de ganha-lo. - sorri.
- Queria arrumar um canto pra gente. Só nosso! - o encarei surpresa, não esperava nada disso vindo do Luan, não agora.
- A gente.. - engoli em seco - Morar juntos?
- Porque parece surpresa?
- Porque estamos "juntos" a um ano, e eu esperava que se isso fosse acontecer iria demorar mais.
- Talvez podia demorar mais, mas agora temos um filho. Você mora em um lugar e eu em outro, e vou querer sempre estar com vocês. Você não mora sozinha.. sinto que estou incomodando indo lá sempre!
- Ah, Luan, nada a ver.
- Por isso que a gente devia arrumar nosso cantinho.
- Eu sou boa de situação, mas agora que fiquei parada por meses, não acho uma boa ídeia.
- Ai, não estou ouvindo isso.
- Eu não que - selou nossos lábios
- Não termina essa frase.
- Mas Luan.
- Eu não estou ouvindo
- Você está ouvindo sim, o que eu disser
- Não, estou surdo, você está ouvindo? - ele disse um pouco mais alto
- Não vou te falar mais nada.
- Como imaginei. - mordeu minha bochecha. - A gente precisa de um lugar só nosso! Para de querer brigar por isso, porque você ficaria nervosa se eu arrumasse.
- Porque não foi essa a educação que meus pais me deram. Você pode pensar que as coisas que ganhei foi tudo de mão beijada, mas não foi. Eu ganhei aquele apartamento porque eu batalhei muito, foi o presente dos meus pais por conta da faculdade que consegui sem eles pagar e por bolsa 100%. E deixar você pagar algo muito alto sozinho, mas faz me sentir inútil.
- Eu nunca pensei que tudo o que você teve e tem foi de mão beijada. Que mal tem eu querer dar algo pra gente?
- Eu não gosto.
- Mas eu quero, você iria deixar-me morar sozinho então, eu vou levar o Breno comigo! - riu
- Você está fazendo graça, estamos discutindo algo sério.
- Não estou fazendo graça, para de ser nervosinha!
- Não estou sendo "nervosinha"
- Você está. Vamos deixar isso pra discutir depois, no caso amanhã. Porque eu quero providenciar as coisas já.
- Eu disse que não vou morar com você enquanto não poder ajudar.
- A gente vai discutir isso amanhã. Certo?
- Não, assunto encerrado.
- Ata, não é assim. Voltaremos ao assunto amanhã quando estivermos em casa.
- Eu disse não.
- Mas eu disse sim.
- Luan.
- Andressa. - cruzei os braços. - Tão linda, bravinha. - me puxou para seu peito
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