- Luan.
- Você pode ter o tempo que quiser. Eu não vou te pressionar, não tenho esse direito. Mas me deixa estar presente eu quero estar perto.
- Tudo bem. Eu deixo você participar. - arqueei as sobrancelhas, animado
- Quantas semanas você está?
- 12
- Nossa. Passa rápido. - ela sorriu.
- Eu não vou importar se você não contar para ninguém. Vai ser melhor para você.
- Se você parar eu agradeço. - ela suspirou
- Ok.
- Aquele dia que eu te vi no aeroporto.. eu pensei que ele era seu namorado. Se não tivesse ninguém perto eu teria.. sei lá, estava transtornado. - falei baixo - Eu não tenho esses pensamentos doentil, mas foi estranho te ver ao lado de outro...
- Ele é meu primo. Como um irmão.
- Estou bem melhor depois de saber disso. - ela sorriu. - Eu levei um celular pra você.. mas a Sarah disse que você tinha viajado e me encurralou também.
- Ela não me disse nada.
- Não? - ri
- Não.
- Ah. O celular está lá em casa, você vai pegar ok?
- Eu vou comprar um pra mim.
- Andressa, eu quebrei seu celular, para de ser teimosa.
- Certo.
- Você já sabe o que é?
- Não, o médico disse que na próxima consulta eu já saberia. Mas eu disse que não sei se iria querer saber o sexo.
- Atá.
- Você quer?
- Querer eu quero, mas você quem escolhe.
- Uhum.
Uma hora depois a deixei em casa e fiquei andando em são paulo. Sem rumo. Não saberia como contar aos meus pais que iria ser pai. Agora, e sem planejamento. Tudo bem que já sou adulto o suficiente, mas não é algo que pensei ser agora ou que estava preparado. Cheguei em casa e não tinha ninguém. Até estranhei. Passei o dia todo sozinho. Meus pais chegaram no fim da noite. Saí do quarto.
- Oi filho, passamos o dia conhecendo lugares novos aqui
- Ah que bom
- Tem muito tempo que você chegou?
- Sim.
- E conseguiu falar com ela?
- Foi difícil mas sim.
- Que bom filho, trás ela aqui pra jantar com a gente. Adoramos ter conhecido ela. Já te falamos isso.
- Não voltamos mãe! Mas eu vejo com ela.
- Dá seu jeito, sabemos que você consegue.
- Vou tentar.
Andressa narrando
Uma semana se passou, Luan havia trazido o celular e trouxe também vários doces dos que eu gostava. Ele me ligava todos os dias para saber como estava, disse que hoje estaria em São Paulo e que chegaria para me ver.
- Oi! - sarah chegou, estava deitada no sofá na escuridão.
- Oie, como foi o serviço?
- Legal! Tem uns cliente que andam perguntando de você.
- E você disse que estou viajando, certo?
- Sim.
- Ufa.
- O seu primo está aonde?
- Não faço ídeia. Ele saiu faz tempo.
- Hum.
- O Luan deve vir aqui hoje.
- Vocês voltaram?
- Eu disse que ele poderia participar da gravidez. Mas acho que ele está com vergonha de contar pra alguém, pois não disse nada pra ninguém.
- Talvez ele esteja criando coragem amiga, saber que terá um filho não é fácil.
- Eu sei, eu o entendo. Está muito difícil pra mim também.
- Então não pensa isso de vergonha.
- Foi bobeira minha.
- Vou tomar um banho.
- Ok.
Fiquei deitada assistindo televisão e quase peguei no sono. Me dispertei com a campaínha tocando. Saí do sofá e fui atender.
- Oi - sorri.
- Estava dormindo?
- Quase.
- Está com cara de sono - riu - Está com fome? Eu trouxe isso. - me mostrou a caixa da pizza.
- Hummm, sim. Vem. - segurei sua mão levando-o até o sofá.
- Tudo bem com esse meninão ai? - ele sorriu
- Porque você cisma que é menino?
- Porque eu acho que é!
- Você quer saber?
- Não. - ele falou baixo
- Minha consulta é depois de amanhã, podemos ir daí descobrimos.
- Não precisa.
- Iremos.. Eu já ouvi o coraçãozinho batendo, foi a coisa mais linda.
- Que dia a gente vai no médico? - perguntou sorrindo como uma criança
- Depois de amanhã
- Ok! Agora come. Pedi metade calabresa e metade portuguesa.
- Eu queria comer da sua hoje.
- Pode comer.
- Tem suco e refrigerante. O que você quer?
- O que você vai beber?
- Eu não bebo muito refri por causa do neném. Ando tomando mais suco.
- Então pode ser suco.
Fui até a cozinha, peguei os copos e o suco. Entreguei á ele e começamos a comer.
- Seu primo vai morar aqui?
- Vai.
- Ah!
- Ele é uma pessoa boa, vocês só não foram bem apresentados.
- Eu não disse nada - ficou em silêncio por alguns minutos - mas vocês já ficaram?
- Ele é como um irmão pra mim, Luan, crescemos praticamente juntos.
- Entendi, ele é primo como irmão.
- Sim! Eu nunca fiquei com primos. E olha que tenho vários.
- Seus pais tem muitos irmãos?
- Minha mãe tem 4 e meu pai 4 e todos com filhos.
- Família grande.
- Eu diria que não iria ficar tão feliz em levar você numa festa com a família unida.
- Valeu ai, pela parte que me toca.
- Por um lado não iria gostar, mas pelo outro sim.
- Porque não iria gostar?
- Porque eu ficaria com ciu.. - prestei atenção no que estava falando e não queria continuar. Ele sorriu e mordeu um pedaço da sua pizza.
- Que bom que ainda sente algo.
- Eu não disse nada.
- Eu sei. Eu ainda acho estranho a forma que agi com você, nunca fui ciumento..
- Era o que você me dizia.
- Era o que eu também achava até começar a sair com você! - bebi um gole do suco para desgrudar os olhos dele.
domingo, 19 de março de 2017
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