quinta-feira, 23 de março de 2017

Capítulo quarenta e um

- Eu fico. - sorri o olhando doce - Mas eu não trouxe nada para dormir.
- Você sabe como amo quando vestes minhas camisetas, né?!
- Acho que sei.

Ouvimos batidas na porta.

- Entra. - Marizete apareceu sorridente.
- Trouxe pra vocês. Luan disse que você adora moussê de maracujá. Está delicioso
- Obrigada Mari. Eu adoro mesmo.
- Que bom. Se ela quiser mais pegue pra ela.
- Ok mãe.

Ela nos deixou sozinhos, devorei meu moussê que estava mesmo delicioso.

- Eu amo moussê de maracujá.
- Quer mais?
- Não. Mas me dá uma colherada do seu.
- Ah não.
- Larga de ser egoísta, estou grávida.
- Essa vai ser sua desculpa até acabar a gravidez? - riu
- Ora, não vou te dizer nada. Me dá uma colherada.
- Toma.

Foi maravilhoso me divertir com ele. Ele já tinha se despido, ficado só de cueca como de costume. Criei coragem e saí da cama. Fui até seu closet e peguei uma camiseta branca. Tirei minha roupa e a vesti, voltando para a cama.

- Eu poderia ter uma foto sua cada vez que você colocasse uma camiseta minha, porra. Você fica muito gata
- Suas camisetas são confortaveis.
- Você fica incrívelmente linda, nelas. - sorri.

(...) No meio da noite acordei e o olhei. Seu rosto estava sereno. Queria muito passar os dedos em suas bochechas, boca, sobrancelhas. Percebi que a cada segundo que se passa fico ainda mais apaixanada por ele. Levantei e fui ao banheiro, minha bexiga estava para explodir. Voltei do banheiro e me sentei na cama, olhando-o

- Luan. - nem mexeu, beijei sua bochecha - Luan, acorda.
- Hum.
- Você pode me dar uma fruta, ou um iogurte?
- Está com fome?
- Um pouco. - ele não disse nada, talvez tivesse dormido de volta. Suspirei e levantei.
- Vamos lá. - o encarei enquanto levantava e vestia uma calça de moletom.
- Você não acha que preciso colocar minha calça?
- Não, essa blusa ficou como um vestido pra você. - beijou meus cabelos e descemos.

Ele me colocou na bancada e pegou a vasilha de moussê pra mim.

- Isso está bom?
- Uhum - sorri - Mas pega algo para eu colocar.
- Pode comer aí.
- Luan.
- Vai Andressa, não tem problema algum, esse moussê foi praticamente feito pra você.
- Se chegar alguém eu vou te chutar pra sempre ok?
- Chutinho de amor não doí. - me entregou a colher e quase devorei tudo.

Voltamos para o quarto e deitamos. Meu sono veio assim que deitei então nem vi o Luan dormir.

Luan narrando

Acordei na manhã seguinte, passei as mãos na cama e não senti a Andressa. Abri os olhos, passei-os pelo quarto, a porta do banheiro estava aberta.. Que horas ela foi embora? Porque não se despediu? Saí do quarto indo até o corredor, minha mãe e meu pai conversava com a Rose

- Vocês viram a Andressa?
- Ai que susto, filho.
- Bom dia.
- Bom dia. - responderam
- Vocês a viram?
- Ela foi embora bem cedo.
- Ela nem se despediu de mim
- Ela não estava bem, disse pra Rose que sua amiga iria busca-la para levar ela ao médico
- Como assim, ela não estava bem?
- Disse que estava sentindo muitas dores no pé da barriga e nas costas.
- E vocês deixaram ela ir embora assim?
- Ela disse que é acostumada, e que sua amiga iria com ela.

Fui até meu quarto e peguei meu celular. Disquei seu número, liguei três vezes na quarta ela atendeu?

- Alô?
- Onde você está?
- Em casa.
- Você estava passando mal do meu lado e não me acordou porque?
- Porque você estava dormindo bem?!
- Eu sirvo pra que caramba? Eu poderia ter te levado ao médico, foda se se eu estava dormindo bem. Eu poderia dormir outra hora. Porra Andressa, você também não ajuda.
- Não grita, está tudo bem, já estou em casa.
- Parece que eu não sirvo pra nada. Você vai preferir que eu durma bem todas as vezes que estiver passando mal e vai ligar para outra pessoa, enquanto eu estou ao seu lado e posso te levar sem problema algum ao médico ou qualquer outro lugar.
- Me desculpa.
- A gente se fala depois.
- Eu não fiz por mal.
- Entendi. Beijo.

Encerrei a chamada e fui pro banho. Me arrumei tomei café da manhã, minha mãe arrumou várias coisas para que eu levasse pra Andressa e fui até seu apartamento. Cheguei lá e ela demorou abrir.

- Oi.
- Eu pensei que você estava bravo.
- Estou ainda. Mas isso não me impede de querer cuidar de você.
- Eu estou chata hoje, o médico me passou um remédio e ele da muito sono.
- Não importo. Está com fome?
- Não.

Entrei em seu apartamento, coloquei as coisas na mesa enquanto ela trancava a porta e fomos pro seu quarto, estava todo escuro. A observei enquanto deitava com cuidado. Ela estava diferente, triste, ou era sono, não sei.

- O que o médico disse?
- Dores normais.
- E porque mudou seu remédio?
- Por nada.
- O que o médico disse? - repeti e ela não disse nada, sentei na cama - Está acontecendo alguma coisa é?
- Ele disse que minha placenta pode estar descolando, mas até agora não dei sinal de sangue, mas que pode estar retido no útero, atrás da placenta. Que pode provocar o parto prematuro ou aborto. Disse que ainda está tudo bem, mas que preciso ir lá toda semana, ou se eu ver sinal sangue ou dor muito forte. - nem consegui me mexer ou falar alguma coisa. - Estou com medo, ele ainda é tão pequenininho e frágil. Eu não quero perde-lo ou ele nascer prematuro. - deitei junto dela e beijei sua testa, entrelacei nossos dedos e não disse nada, ela ficou por cerca de 10 minutos chorando em meu peito.
- Vai ficar tudo bem, vamos fazer o que for preciso para que não descole, ok? Ele é um rapazinho forte e vai aguentar tudo isso. Mas ele precisa que você fique calma, e eu também. Vamos passar por essa.
- Eu to com medo. Ele também disse que corro risco de vida, mas eu só penso nele.
- Não fique. Deus está com a gente. Ele está cuidando do nosso mulequinho e vai ficar tudo bem, com você e ele.
- Eu já o amo tanto, não quero perde-lo.
- Não vai, olha pra mim. Vamos cuidar desse meninão que está na sua barriga, mesmo que seja difícil, daqui alguns meses vamos estar felizes com ele junto á nos. Mas precisamos pensar positivo.
- Eu te amo muito, Luan. - ela disse o mais baixo possível, que achei que estava alucinando.
- Eu te amo muito mais, Andressa. Eu amo vocês dois. Eu amo essa mulequinho que está crescendo na sua barriga, eu amo vocês. Eu vou fazer de tudo para que vocês fiquem bem. Eu faço qualquer coisa.


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