O segundo dia após do acidente eles me transferiram para o quarto. Eu estava ao ponto de ficar louco, eu queria ver a Andressa mas não podia. Eu queria olhar com meus próprios olhos que ela estava ali, que ninguém estava me enganando. Minha mãe saiu para outra pessoa entrar e vi a mãe da Andressa, ela é a Andressa com mais idade. Eu nunca a tinha visto daquela forma. Me senti doente.
- Oi Luan.
- Oi Joana.
- Que bom que você está bem. - ela me abraçou meio sem jeito e começou a chorar.
- Me desculpa, me desculpa.. Eu nunca colocaria a vida dela em risco. Eu me colocaria no lugar dela se fosse possível.
- Eu estou com tanto medo.
- Eu também.
- Se eles desligar os aparelhos e ela estiver morta, eu não vou suportar, não tenho forças o suficiente para enterrar minha filha. - minha garganta secou ouvindo aquilo.
- A Andressa é forte. - tentei aliviar ela e a minha dor. Ela não disse nada.
- Realmente estou feliz por você estar bem. O Breno é tão pequeno...
- Eu não sei o que falar. Não sei se eu preferia isso. - a encarei com os olhos inundados. - Eu não sei mais como imaginar minha vida sem a sua filha. Ela foi a melhor coisa que me aconteceu, me deu o melhor presente. Minha vida sem ela acabou.
- Ela é forte. - ela tentou me reconfortar da maneira que fiz. Abaixei a cabeça.
- Você pode trazer o Breno? Queria ele comigo.
- Eu faço.
Mas quem apareceu com o Breno, foi meu pai que estava resmungando quase chorando.
- Ai está você. - ele disse.
- Oi pai. - ele ficou me encarando. Seus olhos se encheram d'água.
- Por um momento pensei que você tivesse morrido. - ele falou tão baixo quanto um sussurro - Me senti morto por alguns minutos, até descobrir que você estava vivo.
- Eu estou.
- Graças a Deus. - ele deitou o Breno no meu colo e me abraçou. Ele estava chorando baixo, era raro vê-lo chorar
- Estou bem, pai.
- Você está.. - deu uns tapinhas nas minhas costas - Ela vai ficar também. Andressa já nos provou milhares de vezes do quão forte é. Ela vai ser a nossa história de milagre. Ela vai nascer de novo. Você não a perdeu, nós não a perdemos. - fechei os olhos sentindo as lágrimas e meu coração se apertando a cada palavra ouvida. - E você é forte, filho. Pensa no teu moleque, ele precisa de você. Enquanto ela estiver assim, você é pai e mãe. Ele precisa de você, você precisa ser forte mesmo que isso lhe custe.
- Eu sei.
Ele me soltou, peguei o breno com o braço bom. Ele estava com os olhos grande me olhando e parecia cansado. Acariciei seus cabelos.
- Fiquei sabendo que você não tá dormindo, não pode não, bre.. - ele sorriu pra mim, me tirando um sorriso. Ele me lembra a Andressa, mesmo que todos falam que ele parece comigo. Ela me lembra ela. - Você tem que dormir, filho. Comer.
Tentei faze-lo dormir enquanto conversava com o meu pai e ela dormiu. Suspirava fundo, agarrou em meu dedo enquanto dormia.
- Ele precisa de vocês.
- E eu preciso dele.
- Estou rezando muito, filho. Ela é da nossa família. Como uma filha pra mim e sua mãe. Adoramos-a.
Não respondi nada, minha mente parecia estar vazia e cheia ao mesmo tempo.
- Você parece cansado, dorme um pouco.
- Queria ver ela.
- Eles não deixam.
- Pai, chama o médico pra mim
- Tá.
Ele saiu do quarto, fiquei olhando o Breno. Beijei seu rosto. Eles apareceram.
- Oi rapaz, como você está?
- Bem.
- Seu pai me chamou disse que você queria falar comigo.
- Queria ver minha namorada. - ele não disse nada - Só vê-la, não importa por onde, pode ser atrás de um vidro, eu vou me contentar. Eu já perdi as contas de quantas vezes ouvi falar que ela morreu, vai que vocês..
- A gente não faria isso. As notícias que correm todos sabem que é sem confirmação.
- Então deixa eu ir vê-la.
- Não autorizamos, ainda mais você que está machucado...
- Por favor. Eu não farei nada. É só vê-la, um minuto, eu só quero ter certeza. Quero que ela saiba que estou com ela.
- Ela não sente. - ele disse sem rodeios, respirei fundo para não falar alguma coisa e perder a razão.
- Eu só quero estar la, mesmo que ela não sinta. - ele me observou, seu rosto impassível - Eu posso pagar, sei lá..quantos você quiser.
- Eu não trabalho por dinheiro, Luan! Eu sou correto.
- Eu não quis dizer isso, mas será que você não imagina que poderia ser você, ser alguém da sua família e que o desejo é estar perto? Ela é a mulher da minha vida, mãe do meu filho. EU coloquei ela nesse estado, se ela não sobreviver, eu vou carregar essa culpa até morrer. Deixa eu ver ela por favor.
- Nós sabemos que você não tem culpa.
- Eu preciso fazer o que? Dinheiro você não quer, o que você precisa?
- Se você continuar assim, vou ter que chamar as enfermeiras...
- Pra me apagar? É porque não é um familiar de vocês, porque não é sua esposa, sua filha, sua mãe. Mas os outros pode. Não é com vocês mesmo.
- Luan - meu pai falou.
- EU SÓ QUERO VER A ANDRESSA, ISSO É TUDO!!!!
- Certo, Luan. Vou deixar. Peço que a criança fique.
Levantei e entreguei o breno para o meu pai com cuidado e caminhamos até a UTI.
- Ela machucou bastante. Não sei se você chegou a vê-la no acidente. Não sei se te contaram as fraturas que ela teve.
- Minha mãe contou. Ela está no canto direito.
- Sim.
- O aparelho está certo?
- Sim.
- Ah.
- Eu gostaria de deixar você entrar, mas não posso. Não é falta de coração, são regras e regras devemos cumprir. Tenho certeza que você sabe disso.
- Eu sei. - meu olho inundou. - Ela sobreviverá?
- Estamos fazendo tudo para que sim Luan, mas ela não reage. Não da um sinal.
- E se eu conversar com ela?
- Luan, nada que fazemos irá resolver. Ela é a única pessoa que pode fazer algo.
- Me disseram que eles podem ouvir quando estão de coma.
- Sim, podem, mas isso não significa, necessariamente, que o paciente processe o que está ouvindo.
- Ela pode ficar assim pra sempre?
- Sim! Levamos como estado vegetativo, o que pode durar anos e até décadas. No entanto, quando a pessoa apresenta morte encefálica, o coma vem acompanhado por disfunções sistêmicas que levam à parada cardíaca e respiratória depois de poucos dias. Como ainda tem dois dias, vamos esperar, mas é ela, Luan! O que tinhamos que ser feito já fizemos, que foi as cirurgias e todos os outros procedimentos, agora é ela.
- Se ela demorar a voltar, é pior?
- Sim. Quanto mais tempo o paciente permanecer sem resposta, maior é a dificuldade de recuperar-se e aumenta a chance de sequelas.
- Entendi. Eu nunca vou poder ve-la, toca-la enquanto ela estiver aqui.
- Vamos esperar um pouco. Eu vou tentar. - assenti - Mas se eu não conseguir lembre que não foi por falta de vontade.
- Me desculpa por aquilo, mas eu realmente precisava vê-la.
- Eu sei perfeitamente. Está tudo bem rapaz, espero que as coisas fiquem bem. Vamos?
- Sim.
Ele se virou, caminhando. Encostei meu rosto no vidro e sussurrei.
- Eu te amo, volta pra mim. Não me deixe.
comentem para que eu possa postar o próximo!!!!
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Continuo aqui firme e forte kkk posta logo menina
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