quinta-feira, 20 de julho de 2017

Capítulo setenta e cinco

O dia seguinte estava ainda mais doloroso, eu queria estar perto dela mas não podia. Recebi alta mas permaneci no hospital. Fui para minha casa para tomar banho e pegar algumas coisas. Minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento e assim ela ficava o dia inteiro. Eu não queria conversar com ninguém queria entrar numa bolha e ficar ali sem ouvir nada.

- Filho, estou falando com você. - virei o rosto a olhando.
- Que?
- Você não quer que eu leve ele pra casa?
- Eu preferia, ele nem deveria estar aqui, hospital é sujo, ruim para ele que ainda esta novinho.
- Então eu vou. Eu volto depois.
- Tá.
- Vamos com a vovó. - breno agarrou minha camiseta. - Pra casa. - e começou a chorar quando minha mãe se aproximou mais.
- Nem precisa insistir. - o olhei achandk graça - Deixa ele aqui.
- Ele não devia ficar aqui.
- Eu sei, mas ele vai chorar muito. Pode deixar mãe. Eu cuido dele.
- Ele tem coberta o suficiente no carrinho? Está esfriando muito.
- Eu trouxe. Trouxe as coisinhas dele tudo.
- Certo, qualquer coisa você me liga?
- Sim.
- Ok!

Os dois dias seguintes foi ainda mais triste. As coisas estavam do mesmo jeito, pessoas iam e  vinha, conheci alguns colegas da Andressa que nunca tinha ouvido falar. Bruna estava ao meu lado brincando com o Breno, o que me fez viajar longe.

- O que está pensando? Você está longe.
- Nela, sempre nela. - Ela me deu um sorriso triste.
- É triste ver os pais assim também né?!
- Bastante. Parece que quanto mais tempo passa fica pior, eu sinto como se alguém estivesse com uma faca no meu estômago e mexendo-a sem parar.
- É doloroso. Joana está abatida como nunca vi. Ele estava sempre tão bonita todas as vezes que tive oportunidade de vé-la e hoje ela está um caos. A vida realmente nos mostra que a gente realmente não sabe de nada do futuro, mesmo que a gente faça um futuro em nossa cabeça, acontece tudo completamente do que esperamos..
- Exato. - fechei os olhos.
- Eu estou aqui, para o que precisar. - a olhei sorrindo triste
- Você viu a Sarah?
- Tá la fora com o namorado dela. Ela é outra. As duas são muito amigas, não gosto nem de pensar.
- É.

(...) Uma semana pós acontecimento e nada havia mudado. Tudo estava do mesmo jeito, a dor era a única coisa diferente, está cada vez maior. Estava observando minha sogra dar mamadeira pro Breno, e ele sorrindo pra ele quando ví alguém que não esperava. O idiota do ex namorado da Andressa. Levantei rápido.

- O que você está fazendo aqui?
- E ai mano.
- E ai mano?
- Luan. - minha mãe falou.
- Qualé irmão, vim saber como ela está.
- Eu tenho certeza que você sabe como ele está. Pode se mandar.
- Você é dono do hospital por acaso.
- Não sou dono do hospital, mas sei de tudo o que você já fez pra ela. Do quanto você foi um babaca.
- Não foi eu que abandonei ela gravida e ainds coloquei a vida dela em risco depois, foi? - fui pra cima dele mas o Carlos entrou na frente antes de eu acertar o rosto dele.
- Eduardo, para. Dá pra você respeitar?

Carlos me levou pra fora do hospital, queria voltar lá e socar a cara daquele desgraçado.

- Você está muito nervoso, Luan. Calma!!
- Quem é ele pra falar alguma coisa. Eu não abandonei ela, eu não sabia porra, você ta de provas que quando fiquei sabendo não sai do lado dela mais. Eu vou voltar la e quebrar a cara desse filho da puta.
- Luan. Você está transtornado. - meu pai falou aparecendo com um copo d'água. - Bebe isso.
- Não quero.
- Você quase bateu no garoto, assim você perde toda a razão. Ele só queria saber dela.
- Queria o caralho, o tempo que ela estava bem ele nunca perguntou se ela tava bem, se ela precisava de alguma coisa, não que ela precisasse, mas agora bancar o preocupado.
- Luan..
- Me deixa, pai, me deixa. Não tá facil pra mim caramba, eu to preocupado, MUITO PREOCUPADO. Eu não sei o que fazer, é a minha namorada que está praticamente morta la dentro, eu quem estava dirigindo o carro, eu quem a coloquei ela nesse estado, eu quem propuis viagem. Vocês não sabe como está minha cabeça, o que estou passando, como está doendo. Se acontecer alguma coisa com ela eu nunca mais vou me perdoar. Eu vou viver com isso pelo resto da vida. Eu não durmo tem uma semana, estou cansado. É a mulher da minha vida que está em risco, É A ANDRESSA. Dá pra vocês por favor me dar paz. Não basta o que está acontecendo. Não é crise de ciumes porque ex namorado dela veio aqui, eu to pouco me fudendo pra ele, o problema é ele vim aqui bancar o preocupado amiguinho da Andressa e ainda me desrespeitar. Se eu pudesse mudar o que aconteceu eu mudaria, eu me colocaria no lugar dela sem pensar. O breno fica tentando falar mamãe o tempo todo, é fácil pra mim? É???? Não é.

Fiquei de costa pra eles, não queria mostrar o quanto estava sendo fraco. Mas estava impossível. Meu pai se aproximou me puxou para um abraço.

- Vai ficar tudo bem.
- Não vai pai, já tem uma semana e está tudo do mesmo jeito.
- Vai ficar, cadê aquele garoto que tem uma fé inabalavel, Deus é poderoso filho. - era importante te-lo ali, eu podia chorar sem sentir vergonha, era o meu pai.
- Eu to com medo.
- Deus não dorme nunca, ele viu tudo o que você e ela passou. Ele vai fazer um milagre em nossa vida...
- O breno é tão pequeno pai. Eu quero que ela veja ele dar os primeiro passos junto comigo, assim como ouvimos ele falar a primeira palavra "certa". Eu não quero ter que ouvir um dia ele me perguntar "papai cade minha mãe" não quero ter que um dia explicar o óbvio. Eu não sei se sou forte o suficiente. Quero ela comigo, a gente tem tanta coisa pra viver. Temos um casamento pra planejar, daqui dois anos, um ano, ou até esse ano. Eu não quero mais ninguém, ela é a garota que eu sempre esperei, quando eu finalmente achei acontece isso?
- Deus vai nos surpreender. Não deixe de acreditar nunca.

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