domingo, 10 de setembro de 2017

Capítulo setenta e sete

3 semanas vivendo nesse hospital, o desânimo chegou e se instou, mal dormi, comi, minha vida está como jamais imaginei passar. Um verdadeiro câos. Já havia entregado nas mãos de Deus. Eu não sabia mais o que fazer, o que pensar, como agir. Parecia estar tudo parado para mim.

- Você devia ir para casa, filho!
- Estou bem.
- Você não dorme bem faz semanas, Luan.
- Mãe, minha casa não tem graça sem ela, o cheiro dela ainda está no nosso lençol, está em todo lugar da nossa casa. Ir lá doi mais que um chute no estômago. Eu não consigo deitar e dormir sabendo que a Andressa, está o que? hã? morta? É assustador falar isso, mas me sinto a beira do abismo, mãe.
- Não fala isso.
- Eu não falo porque quero, eu estou sem reação, sem forças, eu não faço ídeia de como estou e o pior de tudo.. Eu não faço ideia de como ela está.
- Você não acha que devia desligar os aparelhos?
- Joana não quer. Vimos aquele dia que pedi o tanto de coisa que ela disse.
- Ela está com medo.
- Quem não está mãe? Eu mal consigo dormir, eu tenho medo de acontecer alguma coisa, o dia que dormi, eles tiveram que reanima-la 5 vezes.. - ela apenas me abraçou.

Breno estava dormindo no carrinho, ele por força da natureza aprendeu a falar mama e falava quase todo momento que estava acordado, ele mal estava ficando comigo, alguém sempre o pegava para leva-lo para sair, diverti-lo e foi a melhor coisa. Eu queria leva-lo para ver a Andressa para que ela ouvisse mas não permitiram a entrada dele, mas ainda estou tentando, não vou desistir, estou com um pressentimento bom sobre isso. Horas mais tarde, já havia escurecido, Breno estava cada dia mais a minha cara. Joana sentou ao meu lado, nossos ultimos dias juntos estava difícil, eu queria desligar os aparelhos, ela queria que deixasse eles lá, eu não podia falar nada que eu estava querendo matar a filha dela, ela me jogou a culpa de que eu a coloquei nessa situação, falou que eu que devia estar no lugar dela e coisas piores.

- Oi. - ela disse baixo.
- Oi.
- Você pode falar para desligar os aparelhos. Eu acho que.. não faz mais sentido deixa-los ligados. - ela olhou para baixo - E queria te pedir desculpas... Falei coisas que não devia, coisas na frente da sua família, o que estou passando não desejo pra ninguém muito menos para eles. Estou cansada, não durmo uma noite desde que tudo aconteceu, meu humor está horroroso, eu só peço que me perdoe se puder. Eu falei da boca pra fora, nunca falaria aquilo á você, sei o quanto a ama, o quanto também está sofrendo..
- Tudo bem Joana, eu entendo.
- Pedi de coração.
- Eu perdôo, todos nos estamos passando por um momento delicado. E como eu disse a senhora tantas vezes, eu jamais colocaria a vida da Andressa em risco, se eu pudesse estaria no lugar dela sem pensar duas vezes.
- Eu sei.

O Breno começou a levar os bracinhos até ela que o pegou. Ele sempre foi muito afetivo com os avos.

- Vou falar com o médico. - a olhei, ela permaneceu quieta, sua respiração começou a subir. - A gente pode esperar mais, Joana.
- Eu não quero. Eu estou com medo dela.. não estar mais com a gente, mas manter ligado.. se ela não estiver mais entre a gente, eu.. óh meu Deus, isso doí.
- Eu mentiria pra senhora se falasse que estou preparado.
- Eu não estou nada, conversei muito com o Carlos, ele está desvastado.
- Eu to com medo - falei baixo. - A gente tinja uma vida inteira pela frente, planos, um filho.. - forcei um sorriso - Parece pesadelo, daqueles que a gente tenta acordar e não consegue. - limpei a lágrima que escorreu

Permanecemos em silêncio por longos minutos. O médico veio até a gente, conversou, e não consegui falar o que precisava. Não estava pronto, eu estava com medo.

- Você não quis falar?
- Eu não consigui! Realmente não estou preparado como achei que poderia estar.
- É difícil..

Já era madrugada, Breno não dormiu em momento algum, não queria outro colo, não quis ir com os meus pais pra casa. Os olhinhos dele estava quase fechando mas ele se recusava a dormir. Fui pra casa com ele, precisava de um banho, aproveitei e dei um banho nele também, que ficou 10 vezes mais acordado agora. Voltamos pro hospital. No ínicio da manhã, os pais da Andressa apareceu.

- Trouxe pra você, e leite quentinho pra ele.
- Obrigada sogra, mas to sem fome.
- Você tem que comer, mal come o dia todo. Saco vazio não para em pé. Come, está gostoso. Você precisa.
-A senhora não está fazendo isso porque está com a conciencia pesada, né? Sabe que está tudo bem.
- Não estou, é só que você precisa comer.
- Certo, vou comer.
- Oi vovó, que carinha de sono é essa.
- Ele não dormiu ainda, não sei porque.

Ela o pegou enquanto eu comi os pães de queijo e bebi café. Saiu com ele, conversei com o Carlos enquanto isso. Eles voltaram um tempo depois e o Breno ainda estava acordado. O peguei e fui dar uma volta com ele no hospital, nas partes vazia. Acabei encontrando o médico, e o implorei que me deixasse entrar na UTI com o Breno, ele não deixou de primeira, mas acho que o acabei vencendo pelo cansaço. Ele disse 2 minutos, e o agradeci. O seguimos até a UTI, e entramos. Era a primeira vez que eu a tocaria desde o acidente, fiquei totalmente travado ao vê-la. Ela estava tão.. quieta. Me senti doente olhando a desse jeito.

- Filho, a mamãe. - ele me olhou sem entender. - A sua mamãe. - os olhinhos dele se abriram mais, como se estivesse me entendendo.
- Mama?
- É filho, lembra quando você ficava fazendo carinho no rostinho dela? - ele me olhou pensativo, o abaixei devagarzinho e ele fez, meus olhos se encheram d'água.
- Mama, papa, mama.. mama - seus dedinhos passavam por todo o rosto dela. - mama. - E foi aí que ele começou a chorar. E os aparelhos começaram a apitar. Os médicos nos tiraram rapidamente.
- O que aconteceu?
- Por favor, pesso que volte para onde estava.
- O que..
- Luan!

(...) Ele apareceu um bom tempo depois, onde estavamos. Levantei rápido.
- O que aconteceu lá? Ela..
- Ela reagiu, acredito que seja a visita. Uma lágrimas estava escorrendo de seu olho. Se continuar como está ela poderá acordar a qualquer momento.
- Meu Deus. Ela ouviu o Breno. - nos abraçamos. - Ela pode acordar mesmo? Meu Deus. - suspirei.
- Mas tenho uma noticia ruim.
- Ah, qual?
- Talvez ela não se lembre de tudo, pode ser que ela não se lembre de você, dos pais, apenas do filho, ou nem dele, talvez de ninguém, ou de todos. As cirurgias foram bastante delicadas.
- Está tudo bem, eu só quero que ela fique bem. Que ele acorde, eu posso passar a minha vida inteira reconquistando-a. Só quero ela viva. Meu Deus, ela tem que acordar logo, nossa. Parecendo que agora, puta que pariu, eu já estava sem esperanças.. nossa. - abracei o médico pelo impulso - Obrigado.



oieeeeee gente, voltei. Espero que vocês tenham sido pacientes. E que não tenha me abandonado. Quem ainda estiver acompanhando espero que continuem gostando, beijossss. Tô de voltaaaa ❤

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