segunda-feira, 3 de abril de 2017

Capítulo quarenta e sete

Hoje estou completando seis meses de gravidez, Luan foi comigo na consulta e no momento está no nivel hard do ciúme por causa do meu médico.

- Vocês são intimos, que relação boa! - sorriu irônico
- Luan, ele é meu médico, é uma relação normal de médico e paciente.
- Só você enxerga dessa forma, foi nítido a decepção dele quando cheguei com você.
- É porque você não tinha vindo ainda.
- Ai quando ele me viu ficaria decepcionado, deveria ficar feliz, não acha? E outra, o que a sua vida pessoal diz a ele?

Bufei, Luan nunca dá crises de ciúme, mas quando acontece fica insuportável.

- E não esquece o que disse, pra você ter mais repouso. Que está descolando mais.
- Eu sei, não quero esse assunto de volta me deixa nervosa!
- Ele preocupou a gente e despreocupou, não dá pra entender.
- É.
- Mas está tudo bem.
- Está.
- Vai começar com meias palavras agora?
- Estou só te respondendo, meu Deus você é um saco com ciúmes.
- Eu não estou com ciúmes, eu só não entendi porque tudo aquilo com você.
- Ele é apenas meu médico. Apenas isso!!! Será que não está claro pra você?
- Beleza, seu médico.

Não falamos mais nada até chegarmos em frente ao meu apartamento. Abri a porta e desci. E ele foi embora, dei bom dia ao seu Antônio, e caminhei até o elevador.

- Menina que barriga linda.
- Oi Alê!
- É menino, né? Está redondinha.
- Sim, é menino.
- Quantas meses?
- Estou completando 6 hoje
- Que gracinha. Me deu até saudades da minha gravidez do Miguel.

Conversamos até chegar no nosso andar e depois caminhamos cada uma até seus apartamentos. Entrei no meu, Nem o Igor e nem a Sarah estava em casa. Mas estava a Cássia, a nova faxineira.

- Oi cá.
- Oi Andressa - sorriu. - Seu quarto já está arrumado e limpo.
- Obrigada, vou deitar um pouco, meu médico disse que preciso de repouso 100%, odeio isso. - rimos.
- Sua mãe ligou, disse a ela que você foi na consulta. Sarah me avisou antes de sair.
- Você viu o Igor, hoje?
- Não.
- Será que ele não dormiu em casa?
- Não vi ele.
- Vou ver se ligo pra ele. Obrigada.
- Por nada.

Dormi o resto da manhã e quase a tarde toda. Acordei com meu celular vibrando sem parar. Atendi.

- Alô?
- Você tá grávida? - ouvi a voz do Eduardo
- Oi Eduardo. Estou bem graças a Deus e você?
- VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
- Sim. Porque o expanto?
- Meu Deus. Eu estou namorando.
- O que eu tenho a ver com isso?
- Esse bebê...
- Se sua preocupação é que ele seja seu, não se preocupe, não é seu, se fosse teu, você com certeza já teria descobrido. E outra, como seria seu se nem transamos as ultimas vezes que estavamos juntos? Me erra Eduardo, vê se deixa de ser babaca um dia. Exclui meu número, eu falei para excluir.

Encerrei a chamada e olhei pra porta, Luan estava lá, com as mãos enfiadas no bolso, lindo de morrer, como sempre, mas manti minha postura de durona.

- Oi.
- E ai! - entrou meu quarto, voltei a me cobrir.
- Te mandei algumas mensagens, você não.. - o interrompi
- Estava dormindo, acordei agora.
- Era o Eduardo, seu ex?
- Tem outro?
- Calma, linda!
- Eu não esqueci da sua arrogância de manhã, não vem com "calma, linda".
- Está nervosa comigo, ainda?
- O que parece?
- Que vou fazer isso passar logo.
- Então comece já, porque estou querendo mandar você embora. - ele riu, só aquela risada já tinha me acalmado, eu já disse o quanto amo o som de sua risada e seu sorriso?!!?!?!
- Olha o que sua sogra comprou. - virei o rosto para olhar o que ele tinha em mão, era três embrulhos.
- O que é isso?
- Olha e descobre.

Me encostei na cabeceira e rasguei os embrulhos, tinha um macacãozinho de veludo, com listras azuis escuras e brancas até a barriga e o resto era apenas azul escuro. O outro era um macacãozimho branco com mamadeirinhas.

- E esse daqui eu comprei pra quando ele sair do hospital. - colocou o último embrulho em minhas mãos. Rasguei e avistei uma touquinha branca bem pequenininha. Sorri amando aqueles mimos para o nosso filho. - Ela queria ter vindo, mas eu disse que você estava dormindo, e que estava uma fera comigo.
- Contou da sua crise de ciúmes, desnecessária?
- Não foi ciúmes, eu achei ruim porque foi falta de respeito comigo.
- Ele é cuidadoso com os pacientes.
- Problema dele, você tem namorado, tem quem cuidar de ti, não precisa dos cuidados dos cuidados dele. - sorri e sentei no seu colo.
- Que bonitinho com ciúmes.
- Não é ciúmes. - beijou minha boca - Amei sua roupa. - mordeu meu lábio. - Quando morarmos juntos quero que use assim sempre, quero chegar de uma viagem e te encontrar assim? - engoli em seco.
- Morarmos juntos?
- Você não quer? Eu queria, mas tudo bem. - fez bico fingindo estar triste
- Nunca conversamos sobre isso?
- E você toparia?
- Morar com você?
- Hum.. sim?
- Acho que sim.
- É bom saber. - destribuiu beijos pelo meu rosto até meu pescoço
- Queria fazer algo diferente, está chato ficar em casa o dia todo. Um grande tédio.
- Vamos viajar comigo.
- Eu não acho que é uma boa ídeia.
- Vamos? Amanhã de tarde venho te buscar, se não gostar da experiência não vai mais. Mas vamos, vou adorar sua companhia.
- Tenho vergonha das pessoas..
- Porque? Todos sabem, já falei de você. Todos são cientes de quem é você. E vão te tratar super bem, não tem o porque te tratarem mal.
- Hum, ok.
- Ok?
- É?!
- Jurava que íamos passar a noite discutindo. Que iria embora e você ainda estaria me fazendo implorar.
- É mesmo em, não pensei direito- sorri de lado - poderia fazer você implorar mais e depois por fim aceitar.
- Você acha isso legal? - riu, beijando meu nariz.
- Sim - o beijei. - As vezes fico lembrando de quando ficamos separados. Teve uma vez que rolou um boatos que você estava namorando, queria ir até sua casa e bater em você por ter seguido a vida tão rápido, enquanto eu estava ficando enorme, nenhum outro homem ia me querer, aí você desmentiu, fiquei aliviada.
- Porque não veio atrás.. antes de ver isso?
- Porque você não queria me ver. - sorri amarelo - Eu sabia que estava certa, mas do jeito que tudo terminou não fazia sentido EU ir atrás. Havia sido tão magoada naquele dia que se eu fosse atrás de você e você me tratasse daquela forma outra vez, não sei o que seria capaz de fazer.
- Eu não iria te tratar daquela forma. - olhou por cima do meu ombro - O arrependimento caiu como um meteoro na minha cabeça. Agi feito um louco, não deixei você falar nada. Fui um completo babaca.
- Foi. Você me destruiu tanto, Luan! Que minha saída foi viajar, e cheguei lá.. passei mal e descobri que estava grávida, entrei em pânico não sabia como iria te contar, se iria fazer isso. E cheguei a conclusão que não iria.
- Andressa, porque?? - continuei falando
- Eu saí do serviço, parei de andar na rua, não saía mais de casa e.. no dia que eu saí você me viu. Não sabe minha tamanha frustação quando você chegou aqui e arrancou minha coberta, como foi frustante te ver, como eu queria te abraçar e falar que a gente ia ter um filho, mas estava sempre lembrando de tudo.. - sorri sem mostrar os dentes - Mas que bom que hoje você está aqui. Que estamos caminhando. E estou feliz por isso, por ter você. Por você não ter me pedido em momento algum para tirar o bebê, por me apoiar. Eu sei que com você do meu lado eu vou conseguir passar por qualquer coisa.

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