domingo, 19 de março de 2017

Capítulo trinta e oito

Luan Narrando

Cheguei em casa e sentei no sofá.

- Mãe, pai, Bruna, Rose. Todo mundo que está aqui. - eles apareceram, menos a Bruna.
- Oi filho. - falou minha mãe
- Tenho uma coisa pra contar.
- O que foi, Luan? - meu pai cruzou os braços
- Toma. - entreguei as duas fotinhas para eles.
- Um bebê? Isso significa o que?
- Isso mesmo que a senhora está pensando.
- Você vai ser pai? Quem é a mãe?
- A última mulher que estive?
- Não sabemos.
- Sim, vocês sabem.
- A Andressa?
- Isso.
- Mas vocês estão separados.
- É, mas ficamos juntos por um tempo, né?!
- Ela está de quantos meses?
- Pai, é meu. Eu sei que é meu.
- Eu não sei o que falar.
- Nem eu.

Passei as mãos no rosto.

- Vai ficar tudo bem.
- Hoje eu esqueci de ir na consulta com ela. E ela está puta da vida comigo, eu continuo fazendo tudo errado.
- Trás ela aqui. - minha mãe falou.
- Ela não quer nem me ver, mãe. - ri amarelo
- Eu quero vê-la. Eu vou ser vovó. - minha mãe sorriu.
- Vovó? - Bruna chegou junta ao Breno.
- Seu irmão vai ser pai.
- O pi?
- Se tem outro? - perguntei rindo.
- Sério, de quem?
- Pô, parabéns boi. - Breno falou batendo nas minhas costas.
- Valeu.
- A mãe é quem?
- A Andressa.
- Ah, ela tem cara de que vai ficar bonita com a barriguinha.
- Ela já ta!
- Trás ela aqui, pi.
- Não estamos namorando.
- Ela é a mãe do teu filho. Fala que a gente quer vê-la. Ela vai aceitar.
- Vou tentar pai, depois de hoje..
- O que aconteceu hoje?
- Tinha uma consulta pra saber o sexo e eu esqueci completamente
- É o que?
- Aqui as fotinhas. - minha mãe entregou pra ela.
- É menino.

Conversamos mais um pouco e subi. Tomei um banho, assim que saí do banheiro dei de cara com meu pai.

- Vocês planejaram?
- Não pai. Eu nem sei quando foi, não faço ideia. Mas eu confio nela.
- Não sei se você confia. Se você confiasse vocês não teriam terminado. - engoli em seco
- Mereci essa.
- Não é dessa forma que eu quis dizer.
- Eu entendi pai!
- Você sabe que vai ser difícil?
- Sei
- Está preparado?
- Tenho que estar pai! Se não estou tenho que ficar.
- Tenha responsabilidade viu. Filho não é brincadeira, não a deixe cuidando sozinho. Ela vai precisar muito de você. Ainda mais que os pais estão longe, principalmente a mãe.
- Eu sei.
- Sua mãe ainda está anestesiada. Mas não quer transparecer, você a conhece.
- Aconteceu..
- E que você assuma.
- Com certeza, eu fiz.
- Que venha com saúde.
- É.

No dia seguinte. Acordei cedo, e fui tomar uma chuveirada. Vesti minha roupa e desci.

- Bom dia, filho.
- Bom dia. - beijei sua testa. - Bom dia, Rô.
- Bom dia querido. Fiz bolo de limão. Come. - sentei com elas e comi, meu pai logo apareceu, se juntando a nós.
- Você arruma um pedaço desse bolo pra mim?
- Claro.

Cheguei em frente o apartamento da Andressa. Quem atendeu foi seu primo.

- E ai.
- E ai  - respondi.
- O que você quer? Porque a Andressa está dormindo e odeia que acorde ela.
- Eu á conheço.
- Beleza.
- Mas eu trouxe um negócio e pretendo entregar diretamente á ela. - ele ficou me olhando.
- Deixa ele entrar, Igor.
- Tô pensando ainda, ontem a Andressa chorou e tenho quase certeza que foi por causa dele. - fiquei quieto, já eu tenho certeza que foi pelo que fiz, ou melhor, não fiz.
- Mas pode deixa-lo entrar.
- Beleza.

Entrei e olhei para a Sarah.

- Pode ir lá, você sabe que ela está dormindo e que ela acorda uma fera quando não acorda por vontade própria.
- Eu sei lidar... Posso?
- Sim.

Entrei em seu quarto, ela estava toda esparramada na cama, só dava para ver seus cabelos escuros. Sentei e tirei um pouco de sua coberta. O que me alegrou foi vê-la com uma blusa minha. Eu nem lembrava dessa.

- Ei. - ela suspirou fundo mas não acordou. - Acorda. - acariciei seu rosto e ela abriu um olho - Oi
- Quantas horas?
- 8h30
- Luan!!! - respondeu frustada e ri - Eu dormi mal essa noite, estou morrendo de sono.
- Porque você dormiu mal.
- Minha barriga está incomodando, e não conseguia achar uma posição que favorecia.
- Eu trouxe um pedaço de bolo de limão pra você. Uma vez me disse que gostava muito.
- Gosto. - ela sorriu.
- Me desculpa por ontem. Eu estou muito vidrado em lançar o dvd.. Eu realmente esqueci, não foi por maldade. Eu to amanhecendo e passando o dia no Dudu, para resolver tudo.
- Tudo bem, Luan. - ela coçou os olhos e sentou na cama, fazendo um coque no cabelo. - Já venho.
- Tá! - levantou, arrumando a blusa.
- Para de olhar.
- Não estou.
- Você está.
- Estou mesmo, você tem um corpo lindo, seria estranho se eu não olhasse, não acha?
- Corpo lindo? Estou ficando gorda e você está dizendo que tenho um corpo lindo?
- Você está grávida. E sim, continua com linda! - revirou os olhos e foi pro banheiro.

Encostei na parede e fiquei esperando. Minutos depois, ela apareceu e sentou do meu lado.

- Toma.
- Você comprou ou alguém fez?
- A Rose fez, e está gostoso. Come.

Destampou a vasilha e pegou um pedaço sorrindo como se aquilo fosse a coisa mais bonita que ela ja viu e comeu com gosto. Não sei o que estava acontecendo, mas fiquei excitado em vê-la comendo o bolo com toda vontade.

- Obrigada, agradece ela por mim.
- Eu contei para os meus pais.
- Con-contou?
- Contei. Eles me falaram para te levar lá, para jantar com a gente.
- Ah.
- Vamos?
- Que dia?
- Hoje, ou no dia que der pra você.
- Eu combinei de jantar com a Sarah e o Igor hoje.
- A gente pode deixar para outro dia. - Sarah falou do corredor.
- Sarah, o que você está fazendo aí?
- Nada, só estava passando no corredor e ouvi meu nome.
- Aham.
- É sério, estou me arrumando pro serviço.
- Certo. Eu vou. - me olhou
- Então tá.
- Que horas tenho que estar lá?
- Eu vou te buscar né.
- Ok.
- Eu acho que conheço essa blusa. - ela olhou pra blusa e sorriu, enquanto suas bochechas ficavam rosadas. Eu amo essa mulher.
- É que ela é soltinha, boa pra dormir. - sorriu envergonhada.
- Sinto sua falta, Andressa. Quando paro para pensar na burrada que fiz.. Se eu pudesse voltar no tempo jamais teria agido daquela forma. Tenho medo de não conseguir ter você de volta.

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