quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Capítulo oitenta

Ficamos em silêncio por um bom tempo. Breno chorou no seu quarto e levantei para ir até ele. Expressar meus sentimentos á ela e não ter nenhuma resposta era como levar um soco no estomago.

- O que foi? - ele me olhou com o rosto molhado das lágrimas e começou a resmungar. Peguei ele no colo e descemos. Fiz  sua mamadeira e fomos pra sala. Mas ele não quis a mamadeira, coloquei-o no cercadinho e deixei.
- Seus pais vem aqui hoje?
- Não sei, acho que sim.
- Estavamos falando sobre sua agenda.
- Vou esperar um pouco e voltar a ativa, até você pelo menos tirar o gesso do braço.
- Entendi. - peguei o controle e mudei os canais.

*9 dias se passaram* Estava tudo estranho. Andressa havia se fechado completamente pra ela, conversava comigo só o preciso, eu não estava entendendo nada, mas tentando compreender.

- Você está se sentindo mal? Não quis sair da cama hoje.
- Estou bem.
- Você quer comer?
- Depois.
- Quando quiser descer.
- Ok.

No inicio da noite ela pediu sua mãe para que ajudasse no banho, assim como fez nas ultimas 9 noites. Legal. Fiquei sentado no sofá até realmente cansar. As vezes a gente vai pro inferno e nem sabemos, acho que estou nele. Pensei que finalmente ia ter paz depois de tudo. Joana apareceu e sentou no final do sofá.

- Está acontecendo alguma coisa?
- Não, não que eu saiba?
- Eu falei ou fiz alguma coisa pra ela? Ela está me evitando, mal me responde.
- Ela disse que não está se sentindo bem.. e segura.
- Ah, oh.
- Pensou em viajar comigo.
- Pensou?
- Sim - ela falou baixo, triste em falar isso
- Que bom - forcei um sorriso - Que ótimo. - levantei - Bom.

Subi para o nosso quarto e fui diretamente pro banho. Demorei bastante, nem sei se teria sono essa noite... Deitei na cama e suspirei fundo.

- Você acharia ruim se eu passasse um tempo com meus pais.
- Eu preciso te responder isso?
- Eu, ham.. está tudo estranho pra mim?
- Ah, tá? Vai então. Pode ir! - levantei da cama
- Luan.
- O que porra? Se você quiser ir pode ir não estou te segurando e nunca farei isso se é sua vontade VAI com a sua mãe, se você quiser morar lá more também. Você ficou estranha comigo DO NADA PRA ME FALAR QUE QUER PASSAR UM DIAS COM SEUS PAIS? Será que você não pensa se quer de tudo que a gente pode ter vivido, das noites que eu passei no hospital, das noites que eu não dormir porque eu queria estar ali com você, mesmo sabendo que talvez você nem estaria mais ali comigo. Está tudo bem se você for! Se é a sua vontade realiza ela. Você quer ajuda com as roupas ou sua mãe faz isso por você? Você quer que eu chame ela? Que eu compre as passagens, que dia vocês vão? Amanhã de manhã? Da tempo.
- Luan...
- EU TO CANSADO PORRA, EM TUDO QUE VOCÊ PENSA, EU FIZ DE TUDO POR VOCÊ, POR NOS PRA VOCÊ ESPERAR UM CERTO MOMENTO E ME PERGUNTAR SE EU ME IMPORTO SE VOCÊ FOSSE PARA A CASA DOS SEUS PAIS. CLARO QUE EU NÃO ME IMPORTO - ri - Claro que não. Porque eu me importaria não é mesmo, se você não se importa comigo porque eu estou me importando com você, realmente a melhor coisa que você vai fazer é ir morar com seus pais. - sai do quarto indo para um de hospedes e dormir lá mesmo, estava esgotado.

Acordei no meio da madrugada por causa do Breno e o levei para o quarto comigo. Ele havia chorado enquanto eu estava falando com a Andressa e a Joana o fez dormir, acredito.

- Dorme filho. - ele ficou me olhando com seus enormes olhinhos.
- Papa papa.
- Dorme. - ele ficou resmungando e fechei os olhos, mas ele não me deixou dormir, levantei e descemos, tive que tirar forças de não sei aonde para brincar com ele, depois fomos pra rede e ele acabou dormindo no meu peito. Fechei a casa em silêncio e subimos, deitamos na cama e por fim dormi. Acordei no outro dia cedo e fui para a casa dos meus pais. Passei a manhã lá, eles conversaram bastante comigo, até a Bruna. Não queria voltar pra casa, estava mentalmente muito nervoso, eu não queria se quer acreditar que ela tinha me feito aquela pergunta. Aproveitei e passei a tarde no dudu, pretendia voltar aos palcos logo. Voltei pra casa já anoitecendo. Estava falando com a Arleyde sobre os shows.
- Pode..
- Você já quer voltar?
- Quero. Hoje fui no dudu e a gente conversou bastante Breno pode ir com a gente ou ficar com meus pais.
- Ela vai mesmo?
- Deve que vai. - caminhei até meu quarto.
- Conversa com ela.
- Conversar o que, lelê? Eu estava fazendo tudo o que eu podia, você mesmo presenciou viu tudo pra ela chegar e me falar isso, tudo bem. Não vou forçar ninguém a ficar.
- Ok, certo. Vou ver tudo e te ligo pra gente conversar novamente.
- Beleza, obrigado lelê.
- Por nada, se cuida.

Encerrei a ligação, deixei o celular de lado, passei as mãos pelo cabelo, massageando minha tempora. Tomei um banho quente e deitei. Odiava ficar dentro de quarto mas aproveitei para dormir um pouco. Acordei sentindo um pezinho em minhas costas e suas mãozinhas brincando com meu cabelo.

- Ei rapazinho - abri os olhos e vi a Andressa sentada na cama ao meu lado me olhando.
- Oie.
- Oi. Quantas horas?
- 23h
- Nossa.
- É. Cansei de te esperar acordar.
- Pra?
- Pra gente conversar, eu acho.
- Pode falar.
- Não me responde com ignorância.
- Você agora está se importando? Viu como que foi os últimos dias? Só que você me tratando como se eu realmente merecesse.
- Eu sei, me desculpa.
- O que você quer conversar?
- Eu não vou.
- Não precisa ficar contra sua vontade também. Logo meus shows vai voltar eu mal vou ficar aqui também. É só isso.
- Luan.
- O que?
- Fala direito comigo.
- Mas eu estou falando, a real é essa, você não precisa de mim aqui, eu estava ficando em casa por causa de você, já que você não se sente bem e segura comigo porque diabos você vai ficar aqui ou comigo?
- Eu não quis falar aquilo.
- Mas você falou, você falou, e depois você fez questão de me perguntar se eu me importaria que você fosse para o outro lado do pais. Você esperava que eu reagisse normal? Obvio né, até porque você não se importa para o que eu sinto, você não se lembra de porra nenhuma, e eu que me viro lambendo minhas feridas. Eu não vou te segurar aqui não, se você quiser ir, va! Você vai estar com seus pais, e segu - ela trouxe os lábios até o meu, me calando, me deixando surpreso e sem reação.
- Para de falar, que saco. Eu vou ficar, aqui e com você, ou onde você estiver. Cale a boca. Você fala demais as vezes.
- Ah é?
- Sim. Meu Jesus amado.
- Não vou parar de falar, ah não ser que você me faça parar novamente. - ela me beijou dessa vez, de verdade. Retribui com muita saudade, como eu senti falta dessa boca macia e quente. Paramos com o Breno puxando o cabelo dela e iniciando um choro.
- Bre, não puxa assim. - falei.
- Breno, larga o cabelo da mamãe. - o sentei na cama e ele nos olhou e começou a rir e bater palminhas. Rimos dele, a cena foi incrivelmente engraçada. - Você quer jantar?
- Eu vou descer.
- Uhum.

                          Andressa narrando

Ele foi para o banho. Decidi que ele não tinha culpa alguma de tudo o que aconteceu, eu daria uma nova chance para a gente. Queria "começar" uma história com ele, já que não consigo lembrar de nada. Eu vou conseguir e ser feliz, algo em mim me diz isso. Brinquei com o Breno até ele finalmente sair do banho, ele vestiu roupa e descemos. Ele me ajudou até o sofá, deixou o Breno comigo e foi pra cozinha pegar a comida. Fiquei mexendo nos canais até ele se sentar ao meu lado, Breno estava mordendo um brinquedinho.

- Sua mãe já está dormindo?
- Sim, ela vai cedo amanhã.
- Ah.
- É.
- Que horas?
- O vôo dela ta para 6h45. Ela já conversou com um Uber.
- Qualquer coisa eu pegava o carro do meu pai.
- Ela já conseguiu o Uber, está tudo bem.
- Ok.
- Estou doida para tirar essa coisa do braço e da perna logo. Não vejo a hora.
- Tem que melhorar. Até que eu melhorei o meu rápido, eu estava com o braço enfaixado.
- Tá muito quente e pinicando. Você machucou o que?
- O braço e tive alguns arranhões.
- O carro deu perca total?
- Sim. Admiro que nós dois estamos vivos. Nosso anjo da guarda é forte.
- Sim. - sorri. - Ele está com quantos meses?
- Indo para o oitavo.
- Ahhh.

Ficamos em silêncio enquanto ele terminava de comer.

- Você vai voltar essa semana já?
- Pra onde?
- Fazer os shows.
- Não sei, se você fosse ia sim. Na outra já ia voltar aos poucos. Mas acho que vou esperar até você tirar esses gessos do braço e da perna.
- Eu posso me virar se..
- Se nada.
- Tá. O médico falou se eu posso voltar a gerar leite?
- Pra mim não falou nada.
- Ai que saco. - ele riu. - Não ri, ele deve ser amamentado até quase os 2 anos por ai. Ele está indo para o oitavo mês, passou quase um mês sem ser amamentado por leite materno.
- Podemos ir no médico ver o que ele pode fazer se você quiser.
- Cade seu celular?
- Lá em cima.
- Ahh.
- O que quer?
- Nada. - sorri, ele arqueou as sobrancelhas

Deixei que ele terminasse de comer e subimos, colocamos o Breno no seu bercinho, junto ao babá eletronico e fomos para o quarto. Peguei minha roupa de dormir e troquei devagar.

- Quer ajuda?
- Já estou terminando.

Deitamos e ele ligou o ar imediatamente

- Porque você está ligando o ar se nem calor está fazendo? - ele começou a rir - Do que você ta rindo?
- Tinhamos essa briga frequentemente.
- Sério?
- Sim. Todo dia. Eu ligava você desligava ou brigava. Mas as vezes você simplesmente fingia que não tinha percebido ou "brigava" so para acabar como sempre acabavamos. - o encarei, não iria perguntar, era óbvio a sua resposta.
- Hum. Isso é.. - pensei em uma palavra - engraçado
- Sim é. Mas pensa pelo lado bom, a gente se enfia em baixo do edredom, você pode me encostar se quiser, e não ficamos nem com frio nem com calor.
- Parece bom. Vamos.

Me encostei bem pertinho dele. As vezes sentia que estava fazendo algo errado. Mas depois me "lembrava" que eramos assim antes do pior acontecer e que não devia me sentir culpada. Estava passando um filme chato na tv, mas estavamos assistindo.. ou não.

- Eu queria tanto fazer uma coisa.
- Faça.
- O que eu quiser? - o encarei pensativa
- Uhh, bom.. Sim! - sorri.
- Eu vou fazer então.
- Então faz. - permaneci sorrindo.

Ele se inclinou até minha boca, me olhou nos olhos, colocou uma mexa do meu cabelo atras da orelha, passou os dedos em meus lábios e levou os seus até os meus. Selou demoradamente, lambeu meus lábios e mordiscou lentamente. Abri-os para respirar e ele aproveitou a deixa para deslizar sua língua quente e macia na minha. Fechei os olhos e ele me beijou suave e com paixão. Ele subiu com cuidado em cima de mim e nos beijamos até perder o fôlego, sua boca desceu, destribuindo beijos em meu queixo, pescoço e ombros. Saía baixos grunhidos de sua boca, me deixando um pouco acesa.

- Luan.
- Você quer que eu pare? - falou entre os beijos.
- Óh não. Não pare. - suas mãos apertaram meus seios. Então ele parou, levando o rosto novamente, mordiscando minha orelha.
- Eu quero esperar você melhorar 100% mas você me deixa louco, e eu estou morrendo de vontade de você.

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Capítulo oitenta e quatro

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