sexta-feira, 14 de abril de 2017

Capítulo cinquenta

Estou caminhando para o oitavo mês e tudo o que o médico mais me pediu foi: repouso, repouso 100%, cuidado com qualquer coisa, tenha total atenção quando for andar. Comecei a acariciar minha barriga redondinha e conversar com o Breno. Meu celular tocou me tirando do transe.

- Alô
- Oi amor.
- Oie.
- Tudo bem?
- Tudo e com você?
- Tudo. - pensei em seu sorriso do outro lado da linha
- Hum, o que manda?
- Vou pro pantanal com os cara, você quer ir? Ou se importa se eu for?
- Não e não.
- Vou passar aí antes e você decide.
- Tá! Mas eu não quero ir, você sabe, eu preciso de repouso total - ri
- Você não se importa se eu for? Lá só vai ter homem pescando, jogando conversa fora e coçando o saco - riu
- Não importo. Quantos dias vai ficar la?
- Contando com hoje, 5
- Ah, tudo bem amor. Boa pesca.
- Eu vou aí antes de ir
- Eu te vejo aqui.
- Você sabe que a rede lá é horrivel
- Sim! Eu sei.


Conversamos por um bom tempo e desligamos. Cássia estava lá, sarah me ligava a cada 10 minutos, ela estava tão preocupada se eu iria fazer alguma coisa, como ela foi comigo na última ultrassom o médico pediu repouso total, agora ela ficava no meu pé mesmo quando estava fora. Luan veio aqui antes de ir viajar, comprou um cachorro quente que eu havia dito que queria comer, que eu pensei que ele nem iria lembrar e trouxe chocolates também. Ficamos brincando com minha barriga e namorando, eu amava quando ele estava por perto. Queria passar cada segundo do meu dia com ele, queria beija-lo como se não houvesse o amanhã. Sarah chegou e se juntou a mim na sala, que estava deitada quase dormindo.


- Oie.
- Oi amiga. - esfreguei os olhos.
- Estou cansadissima.
- Imagino.
- Vou tirar uns dias de folga pra ficar aqui com você
- Ei, não precisa! Se eu não me engano minha mãe vai vir. Ela só está ajudando meu pai com as coisas lá.
- Eu só vou esperar a lê voltar de viagem e vou tirar sim, não sei que dia sua mãe vai chegar.
- Você é teimosa, sabe que não precisa
- Sou mesmo
- Ei, e você mais o Igor?
- Hum, ta de boa.. O bruno me ligou hoje, achei estranho pois ele saiu daqui me odiando. Ele foi super gente boa comigo, disse que queria conversar.
- Oi - igor passou no corredor e foi pro quarto.
- Eu quero entender até hoje como ele entra nesse apartamento sem fazer um barulho - ri
- Ele deve ter ouvido, ou teve um dia cansado
- Eu já venho.
- Ok.

Comemos pizza de janta e depois fui-me para a cama. O dia seguinte foi bastante calmo, estava saindo da cama apenas para comer e ir ao banheiro. No dia seguinte, decidi sair do apartamento, queria ir ver a rua. Tranquei a porta e caminhei até o elevador. Comprimentei o seu Antonio, e saí. Andei pelo quarteirão, quando estava voltando não sei o que aconteceu e tropecei machucando meu pé e caindo com tudo, comecei a sentir muita dor e senti um líquido me molhar pernas abaixo. Gritei de dor, minha vista estava começando a escurecer, mas forcei até o ultimo, logo ví um homem correndo em minha direção e depois mais pessoas veio pra cima de mim, avistei o seu Antônio, que estava desesperado.

- Eu vou ligar para virem te buscar..
- Eu.. óhh, o Igor. Ele trabalha aqui perto. Eu não posso ficar aqui, eu vou perder meu filho. - as lágrimas começaram a escorrer, estava sentindo muita dor. - Seu antonio, liga rápido

Ele já havia saído do meu campo de visão
(...) Acordei numa cama de hospital.

- Oi, nossa que susto.
- O Breno?
- Os médicos estão esperando dilatar mas 2 centimetros, para começar o parto. É caso de urgência, mas eles não podem tirar o bebê sem ainda ter dilatado 100%. E estão com medo dele nascer sem vida. - fiquei parada. - A gente te pediu pra você ficar na porra do apartamento porque você ouve uma vez?
- Não briga comigo, eu só queria sair um pouco, Igor. Não é fácil ficar presa em um apartamento 24 horas. - entrou uma enfermeira e mediu minha pressão.
- A gente precisa que você mantenha a calma, sua pressão está a 21.
- Eu quero ter o meu filho logo. Por favor.
- Falta 1 cm para dilatar.

Fiquei esperando todo o tempo que gastou. Me levaram para a sala de parto, e sarah apareceu, eu não conseguia parar de chorar.

- Vai dar certo. Deus está com ele e com a gente! - beijou minha testa - Eu prometi que estaria aqui.
- Eu estou com medo.. O Luan, você tentou?
- Só da fora de área, liguei para os pais deles. A mãe dele atendeu, e disse que fará o possível para entrar em contato com ele, que lá é pessimo de área.

Iniciamos o parto normal.. Estava fazendo muita força e nada, eu não sabia se chorava ou fazia força, estava sentindo muita dor, para passar os ombrinhos dele a dor foi intensa, como nunca havia sentido, depois ele praticamente escorregou para fora de mim, pequeninho. Mas não chorou, ele não fez nem um baixo murmurio, como eu esperei tanto para ouvir

- Porque ele não está chorando? - perguntei desesperada e os médicos correram com ele para outra sala. - O que está acontecendo, EU QUERO O MEU FILHO, PELO AMOR DE DEUS.
- A senhora precisa ficar calma.
- MEU FILHO, VOCÊS DEMORARAM TODO ESSE TEMPO E ELE NASCEU MORTO, EU NÃO.. AMIGA, O BRENO ESTÁ MORTO, MEU DEUS, ELE NÃO CHOROU, ELE NÃO FEZ NADA, ELES CORRERAM COM MEU FILHO.
- A gente precisa que a senhora tenha paciencia, os médico farão de tudo para que ele sobreviva.
- VOCÊS MATARAM O MEU FILHO, VOCÊS MATARAM O MEU FILHO, EU VOU PROCESSAR ESSE HOSPITAL. BRENOOOOOOOOOOOO, ME TIRA DAQUI EU PRECISO VÊ-LO UMA ÚNICA VEZ.. - a enfermeira aplicou uma injeção na minha veia e minhas vistas foram escurecendo
- Eles farão de tudo. - foram as únicas palavras que ouvi antes de apagar.

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