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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Capítulo setenta e oito

Já era a noite quando o médico veio nos avisar que ela havia acordado, eu vibrei tanto, eu não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, eu já tinha quase perdido toda as minhas esperanças e saber que ela estava de volta, de volta pra mim, que ela tinha acordado.. Era algo inexplicavel. Eles a tiraram da uti levando-a para um quarto. Fui com o Breno, ela estava de olhos fechados quando entramos. Fui devagar até o lado da maca.

- Oi - sussurrei, ela assustou e abriu seus lindos olhos cor de jabuticaba. Ela me olhou confusa - Eu sou o Luan. Esse é o Breno.
- Oi. - sua voz era baixa
- Mama - breno falou
- Ele...
- É o Breno, seu filho.
- Meu, meu filho?
- Sim.
- Óh. - deitei ele com cuidado em cima dele - Ele parece você.
- Sim.
- Eramos..?
- Namorados, juntados.
- Hum. - ela me olhou sem nenhuma expressão. - O que me aconteceu?
- Sofremos um grave acidente, mas infelizmente você foi a mais prejudicada.
- Entendi. - ela olhou o Breno que estava a olhando quietinho. - Ele é lindo.
- É.
- Me desculpa.. eu não consigo lembrar.
- Está tudo bem. Você está viva. Isso me deixa feliz. - ela não disse nada. - Seus pais querem te ver. Vou deixa-los entrar.
- Sim. Ele.. pode ficar?
- Claro que pode.

Sai do quarto indo até onde seus pais estavam. Sarah havia chegado com o Igor, meus pais também.
- Vão lá gente. - falei sorrindo. Sentei ao lado da minha mãe
- Como ela está?
- Bem.
- Que bom filho..
- É..
- Ei, o que foi?
- Nada.
- Luan.
- Ela não se lembra de mim - desviei o olhar novamente - Eu posso estar sendo um pouco egoísta com tudo isso, mas doí em mim saber que ela não se lembra de nada do que vivemos.
- Você vai conquistando ela aos poucos novamente, filho. Você pode ir fazendo ela se lembrar, você pode conseguir que ela recupere a memória, eu já ouvi falar muito disso. Isso pode acontecer com vocês. E mesmo que isso não aconteça é uma nova história que vocês irão começar, ou melhor recomeçar.
- E se eu não conseguir conquista-la novamente.
- Eu não tenho dúvidas da sua capacidade, meu amor. E é impossível não ser conquistada por você, até quem não convive é apaixnada por você, imagine ela que viverá com você, que receberá amor o dia todo, que verá o quanto você é uma pessoa maravilhosa e querida. Eu não tenho dúvidas disso. Não deixe o medo colocar uma ponte em sua cabeça em que você não consegue passar. Você é capaz de conseguir o que bem quiser, basta querer. - Suspirei fundo.
- Obrigado mãe. - ela me deu um beijo na bochecha
- Não se desespere. E o melhor de tudo, vocês tem um amor no meio de tudo, o Bre. Isso ajudará ainda mais.

Todo mundo veio vê-la. Ela reconheceu bem pouco os pais, e o Breno mexeu bastante com ela. Andressa o queria o tempo todo com ela. Seus pais deixaram que eu fosse seu acompanhante, eu não sabia agora que dia que ela iria receber alta. Sentei do seu lado, ela me olhou.

- Me conta sobre você.
- O que você quer saber?
- O que você faz?
- Eu canto.
- Sério? - assenti sorrindo - canta uma música.
- Qualquer uma?
- Uma que eu gostava muito. - fiquei pensativo e logo lembrei de uma que ela gostava muito e comecei
- É impressão minha ou o sol brilhou mais forte quando olhou pra mim, o brilho desceu das estrelas e no meu olhar ficou até o fim.. É impressão minha ou metade do meu peito mora em você, se o mal chegar entro na frente pra te proteger eu te amarei por 1001 motivos vou perguntar baixinho ao pé do ouvido.. Promete que vai ser só minha que vai me entender num olhar, promete que vai visitar os meus sonhos de noite a luz do luar. Promete ler meus pensamentos decifrar o meu coração, por que só assim vai saber que minha vida inteira está em suas mãos... Em suas mãos... - sorri
- Óh, você tem a voz linda. Eu gostei dessa, como chama?
- Promete. - ela me olhou com os olhos enormes, suaves.
- Como nos conhecemos?
- A sarah aquela garota que entrou aqui mais cedo é sua melhor amiga, ela te levou para a casa do ex namorado dela, que é um cantor, e eu sou amigo dele e estava lá.. Eu te levei pra casa no dia e bom, pedi seu número.
- Eu dei?
- Deu - ri - Mas não foi lá algo tão fácil, você tinha acabado de terminar um namoro por um cara que você gostava muito. Mas ele não era o cara certo pra você.
- Hum.. - ela olhou para o Breno que dormia em cima dela.
- Se ele estiver pesado, eu o coloco no carrinho.
- Eu quero ele aqui.
- Ele aprendeu a falar "mama" com você aqui já. Ele praticamente ficava o dia inteiro falando mama mama. - ela levou o braço bom até seus cabelinhos e acariciou
- Você não se importa de eu não lembrar nada?
- Eu me importaria se você tivesse morrido, além de perder a mulher da mimha vida iria viver com a culpa de que matei você. Aliais, eu estava dirigindo o carro. - ela não disse nada, nem me olhou. Ficamos em silêncio por um breve momento
- Ele parece muito você.
- Todo mundo fala. - falei baixo.
- Ele devia parecer pelo menos alguma coisa comigo, você não acha?
- Você está dizendo isso caso eu..
- Eu só estou tentando brincar.
- Ah.. sim.. certo.
- Me mostra fotos nossa?
- Você ainda não consegue acreditar que eu era seu namorado antes do acidente?
- Eu só quero ver uma foto. Eu.. acredito em você. - fiquei a olhando, então peguei meu celular, coloquei no album que tinha várias fotos nossa. Ela olhou uma por uma, parando por alguns segundos. - Que linda essa.
- Foi na nossa casa.
- Nossa?
- Moramos juntos.
- Ah. Eu você e ele?
- Sim.
- Entendi. - voltou a ver as fotos, e começou a ter um monte apenas dela, sozinha, sorrindo, fazendo careta, descabelada, acordando, brincando com o Breno, cozinhando, distraída. - Eu já tinha visto essas fotos antes?
- Não.
- Você é um fotográfo bom.
- Eu via essas fotos quando estava longe, uma forma de tentar matar a saudade.
- Longe?
- Eu fico alguns dias da semana fora de casa por causa de shows.
- Você é um cantor bastante conhecido - assenti dizendo
- Acho que sim
- Você tem várias fãs loucamente apaixonadas?
- Acho que sim, também.
- Isso parece legal.
- É bastante.
- Eu namoro um cantor muito conhecido?
- Se você quiser me namorar ainda, a resposta é?
- Entendi. Eu lidava bem com isso?
- Sim.
- Entendi. - voltou a olhar as fotos. - Essas daqui é?
- Você fez um ensaio um tempo atrás.
- Entendi. - a olhei. - O que eu fazia da vida?
- Como assim?
- Eu trabalhava?
- Depois que você engravidou saiu, foi um pouco complicada a gravidez também, estavamos separados um tempo. Porque haviamos brigados.. você escondeu até um certo ponto, depois voltamos aos poucos..
- Hum. - me entregou meu celular. - Acho que vou dormir um pouco, minha cabeça doi e estou cansada.
- Certo.

As enfermeiras apareceu no meio da madrugada, ela estava quietinha, não consegui dormi, fiquei sentado olhando a televisão, minha cabeça estava longe.
- Você não está com sono? - assustei, jurava que ela estava dormindo, mas seus olhos estavam em mim.
- Não estou.
- Você pode deitar aqui se quiser.
- Está tudo bem, não consigo dormir.
- Posso pegar na sua mão?
- Pode - levei até a dela, que ficou mexendo da palma da minha mão até pegar no sono. Coloquei o Breno no carrinho com cuidado para não acordar, eu não sei se era a tranquilidade de estar com a Andressa, mas ele estava dormindo tanto.

Levei os dedos até suas bochechas e acariciei devagar, ela havia emagrecido, seu rosto estava mais fino, mas ela continuava linda.

- Dorme. - sussurrou.
- Você vai me assustar toda hora? - ela sorriu a primeira vez ali
- Assustei também.
- Me desculpa
- Não pare. Você tem as mãos bem macias.
- Você acha?
- Acho. Você devia dormir, eu estou com sono.
- Daqui a pouco vou.
- Certo.

Na manhã seguinte ela acordou gritando de dor na cabeça, as enfermeiras logo apareceram e aplicou um remédio em sua veia. O médico adentrou o quarto

- Fique tranquilo, isso irá acontecer por alguns dias ainda, por conta da cirurgia, mas depois passará.
- Certo.
- Leve o garota para passear.

Breno estava berrando tão assustado como eu. Dei uma volta com ele pelos corredores e voltei, ela ainda dormia. Seus pais veio vê-la novamentes, suas amiga do trabalho, a bruna, sarah e igor, claudia.. Aproveitei para ir em casa tomar um banho e dar um banho no Breno. Quando voltamos so estava seus pais e a Sarah.


- Ela está bem?
- Está dormindo - Joana falou sorrindo - A cabeça voltou a doer, e eles deram um remédio a ela que deixou bastante sonolenta.
- Entendi.
- Ele está dormindo?
- Dormiu no caminho. Acho que agora ele finalmente vai voltar a dormir normal.
- Graças a Deus né. - falou Joana
- Sim.
- É tão estranho ela não nos conhecer pois ela fica estranha, receosa. - sarah falou triste.
- É estranho, mas aos poucos acredito que ela pegue intimidade com a gente. - Joana
- Sim, eu acho que vou passar alguns dias com vocês quando ela for pra casa, pode Luan?
- A vontade.
- Êeehhh.

Na madrugada, estava brincando com o Breno que estava acordado. Ela estava dormindo ao nosso lado.


- Como nós vamos fazer para reconquistar sua mãe? Você já pensou numa ídeia, tem que ser uma ídeia muito inteligente. - ele riu batendo as palminhas - Nós pode dar muitas flores para ela, com um bilhete: somos os homens da sua vida, o que você acha? Você tem alguma ídeia melhor? - ouvi a risada dela. - A você está acordada.
- Acordei com ele.
- Você gostou da nossa ídeia mamãe? - imitei uma voz de criança, ri junto com ela
- Gostei.
- Então eu e meu papai vai providenciar.
- Ok. - ela sorriu.
- Está melhor?
- Sim, o remédio é muito forte.
- Imagino.
- Eu gostei dos seus pais.. Acho que já estou encantada com minha.. hã.. sogra?
- Sim, sua sogra.
- Ela e muito doce, seu pai é sua cara e muito doce também, eles me contaram como você ficou, estou um pouco mexida..
- Você está?
- Acho que sim.

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