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domingo, 17 de setembro de 2017

Capítulo setenta e nove

Andressa havia recebido alta quatro dias após e já estavamos em casa, ela ficou um pouco travada quando chegamos, a levei para todos os lugares mostrando-a nossa casa, ela estava com uma perna quebrada e um braço. Era tranquilizador estar em casa novamente, e com ela. Deixei ela com todos e fui tomar um banho. Quando desci novamente a encontrei sorrindo, eu me senti vivo novamente. Ficar sem vê-la daquele jeito tinha sido uma das piores partes do meus dias. Sentei ao lado dela.

- Eu queria tomar banho, também. Minha mãe.. pode.. hã.. ou você.
- É com quem você se sentir mais a vontade, eu não ficarei mal por isso. - ela me encarou por longos segundos, olhou para frente e colocou a mão na minha coxa.
- Você me leva?
- Sim.
- Estou fazendo a janta. Se vocês preferir eu levo no quarto, imagino o quão cansados estão.
- Ela vai resolver o que quer.
- Tudo bem. - sorriu.

A peguei no colo e subimos.

- Hum, você é forte, já me levou para todos os lugares da casa, está subindo e descendo escada comigo.
- Aproveita, não faço isso com todo mundo. - ri fazendo- a sorrir comigo. A sentei na poltrona e deixei. Fui até a banheira e deixei enchendo, acredito que seja melhor por causa dos engessados. - O que você quer vestir?
- Qualquer coisa larguinha. - olhei na sua parte do closet, pensei, não escolhi nada, caminhei até ela pegando-a no colo e deixei com que ela escolhesse. - Você gosta disso?
- Qualquer coisa em você fica lindo. - ela sorriu e escolheu um vestido preto, abri suas gavetas de roupas intimas, e ela escolheu apenas uma calcinha preta. - Isso é tudo?
- Sim.

Deixamos na cama e fomos pro banheiro.

- Você vai se cansar de mim. Eu não consigo fazer nada sozinha com esse braço assim, meu Deus.
- Andressa, é mais fácil você se cansar de mim do que eu me cansar de você.
- Me ajuda com o cabelo. - fiz um rabo de cavalo e em seguida um coque.

Desliguei a banheira, ela ficou um pouco estranha quando tirei sua roupa, mas fingi que não percebi nada e a coloquei dentro. Lavei todo o seu corpo, meu Deus, ela é completamente linda.

- O que foi? - ela perguntou
- Nada.
- Parece estar longe. O que está pensando?
- Nada.
- Me conta.
- Não sei se devo?! - ri arqueando as sobrancelhas.
- Deve, me conte.
- A gente já fez tanta coisa nessa banheira. Eu estou pensando isso.
- Você está pensando na gente transando?
- Uh, sim - gargalhei. - Você é linda, tem um corpo lindo, eu sou um homem louco por você, e bem.. vamos parar? - ri, não a olhei, mas senti seus olhos fazerem furos em meu rosto.
- Eu devo ter emagrecido, ainda estou bonita pra você?
- Eu preciso responder? Você seria bonita de qualquer forma, você continua linda, mesmo com uns quilinhos a menos. Eu te acharia linda mesmo com quilinhos a mais. Pra mim isso é o que menos importa. - ela não disse nada

Ajudei ela com a roupa e a deixei na cama enquanto desci para buscar janta para ela.

- Já está pronto, você veio buscar?
- Sim, vocês já comeram.
- Estavamos esperando vocês.
- Eu vou levar comida pra ela, tomar um banho e desmaiar, vocês se importam? Depois de semanas finalmente vou ter uma noite boa de sono, nem acredito. - eles riram.
- Você merece, qualquer coisa nos chame. Já fiz a mamadeira dele e ja dei.
- Vou dar um banho nele pra gente dormir. Bora garotão? - ele riu pra mim, peguei ele no colo e o prato no outro braço. - Vocês ficam a vontade né? Sabem que a casa é de vocês, qualquer coisa podem me chamar.
- Sim, estamos bem.
- Então ok, boa noite.
- Boa noite.

Dei o prato á ela.

- Você consegue?
- Hum, sim.
- Vou tomar banho e dar banho nele. - ela assentiu. - Está bem aí?
- Você pode me dar mais um travesseiro. - coloquei o meu em suas costas
- Assim?
- Sim, obrigada. - Tirei sua roupinha.
- Vai ficar bem?
- Vou.
- Já já estamos de volta.
- Sim.

Tomei banho junto com o Breno, já tinha virado craque nisso de tanto fazer isso nos últimos dias. Ele amava água, tanto que já fez infinitas birras para não sair dela. Enrolei a toalha na cintura e saímos. Ela estava quietinha assistindo tevê. Estendi uma toalha do Breno na cama e o sequei com outra, ele não parava de rir pra mim e morder um dos pézinhos quando eu dava um tempinho, fui buscar sua fralda e coloquei nele. O deixei ao lado da Andressa enquanto fui vestir roupa. Quando voltei ele já estava no colo dela apoiado no seu braço bom, quase dormindo.

- Imagino a falta que ele sentiu desses momentos. - ela o olhou, deitei na cama e suspirei fundo. Só deitando de verdade na cama vemos o quanto estamos cansado, e eu já estava esgotado. Tirei seus travesseiros e a ajudei deitar. Breno deitou quietinho no peito dela e ficou, a mãozinha agarrada na camiseta da Andressa.
- Pode apagar a luz.

Desliguei a luz e ficou apenas o clarão da tv. Acabei dormindo o mais rápido que imaginei. Acordei no meio da noite ouvindo um baixo gemido, era dela.

- Ei, o que foi?
- Minha cabeça doi muito.
 - Porque não me chamou. Vou pegar seu remédio.

(...) Ela dormiu depois de relaxar, deixei o breno no cantinho e a puxei para o meu peito. Acaricei seus cabelos até também pegar no sono. Acordei e a cama estava vazia. Tentei imaginar como ela desceu. Fui pro banheiro fazer as higienes matinais aproveitei e tomei um banho. Desci e a encontrei sentada no sofá com o Breno em seu colo dormindo. Sua mãe estava na cozinha lavando a louça, seu pai eu não fazia ideia.

- Oi.
- Ahh, que susto - ela riu - Oie.
- Comeu?
- Sim. Vai comer também. Minha mãe fez bolo, café, tem roscas, pão de queijo, suco.
- Humm, vou mesmo. - passei os dedos no rosto do Breno e fui. - Bom dia, sogra.
- Bom dia, querido.
- Cadê o carlos?
- Foi cedinho embora. O trabalho o chamou urgentemente. E como a Andressa está melhor falei que ele podia ir, bom que fica com os meninos também. Logo que eu ver que está tudo bem mesmo vou também.
- Sabe que pode ficar o quanto quiser, né? - enchi minha xícara de café.
- Sei, mas preciso ir também. Vou cuidar dela e depois vou.

Conversamos até eu terminar meu café e depois fomos pra sala. A tarde muitas pessoas veio visita-la. Ela estava bastante animada, mas não conseguia se lembrar de ninguém. A noite conversei com ela sobre coisas que gostavamos, mostrei alguns vídeos, o médico disse que isso poderia ajudar, mas que não era certeza, que talvez ela nunca se lembraria, mas eu não iria desistir, mas mesmo que ela não se lembrasse fazeriamos lembranças novas e especiais. 3 dias após sua mãe saiu logo após o almoço ficamos na sala assistindo tevê.

- Você não tinha uma agenda pra cumprir antes de tudo acontecer?
- Sim.
- Você não vai...
- Você está me despachando?
- Ham? - arregalou os olhos - Claro que não, não foi isso o que eu quis dizer.. Eu..
- Eu entendi, estava so brincando. - ela me deu um cutucão forte me fazendo rir
- Você é muito bobo.
- Eu senti muito sua falta, parece que agora estou vivendo em uma coisa que inventei na minha cabeça, eu passei os piores dias da minha vida, os ultimos já colocando na minha cabeça que você estava morta, tentando me conformar, minha última esperança foi o Breno. Mas eu já estava tão no meu limite, que meu Deus. Eu olho pra você agora e quero estar cada segundo com você, te abraçar, te beijar, fazer tudo com você, cuidar de você como se não houvesse o amanhã, afinal a gente nunca sabe se o amanhã realmente vem. Essa noite eu perdi o sono porque eu comecei a pensar demais, no que eu faria sem você, de como eu cuidaria do Breno sem você e eu não tive uma resposta. Parece que eu me perco sem você, eu não estava acreditando que Deus faria aquilo comigo, na minha cabeça iriamos viver juntos até morrermos velhinhos, com filhos, netos, casa cheia. Desde que foi você, é você e será até que eu parta dessa para melhor.

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